Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/10/2019
A doação de órgãos é um fator muito importante para a medicina e para a qualidade de vida no país, visto que um só doador pode salvar diversas vidas pela variedade de órgãos que podem ser transplantados. Segundo o Ministério da Saúde, existem cerca de 40 mil pessoas aguardando por um transplante no Brasil atualmente. No entanto, a doação de órgãos ainda não é suficiente para cobrir a demanda de pacientes na fila de espera. Esse fator deve-se a uma série de implicações, como a falta de especialistas capacitados e de conhecimento das famílias acerca do assunto.
Em primeira análise, é visto que a recusa dos familiares é o principal motivo para que a doação de órgão não ocorra. Conforme dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, no ano passado, aproximadamente 40% das famílias negaram a doação dos órgão de seus parentes após morte encefálica comprovada. O principal motivo que leva a essa decisão é a falta de conhecimento sobre o que é de fato a morte encefálica: um acontecimento irreversível, no qual o cérebro para de funcionar. Tendo em vista esses fatores, torna-se necessária, portanto, uma maior conscientização das famílias sobre como ocorre o processo desde a morte encefálica comprovada, até a doação de órgãos.
Outro fator impostante a ser levado em consideração é a falta de profissionais capacitados em alguns estados do país. Tendo em vista que a maioria dos órgãos necessitam de transplantação rápida, faz-se inviável que o transplante seja feito em pacientes muito distantes do local onde se encontra o doador em potencial. Paralelamente a isso, segundo Valter Garcia - membro do Conselho Consultivo da ABTO -, apenas 70% das mortes encefálicas no Brasil são detectadas. Assim sendo, em muitos lugares ainda não se consegue realizar exames de imagem para que seja possível o diagnóstico. Transfigura- se indispensável, dessa forma, ações que facilitem a doação de órgãos no Brasil.
Infere-se, portanto, que a campanha de doação de órgãos deve ser feita de maneira mais efetiva, com visibilidade em escolas e hospitais, para que ocorra uma maior conscientização da comunidade sobre a importância desse ato. Além disso, o Ministério da Saúde deve implantar programas que viabilizem a transferência de médicos capacitados para áreas mais necessitadas, bem como realize um maior investimento em equipamentos que facilitem o trabalho dos médicos em potencial. Dessa maneira, haverão mais oportunidades para que os transplantes de órgãos ocorram e, com isso, muitas vidas serão salvas.