Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 23/10/2019
O Brasil é referência mundial quanto ao transplante de órgãos na rede pública de saúde, uma vez que, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 90% dos procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde. Embora sua realização na rede pública facilite o acesso da população aos transplantes, isso não é o suficiente para reduzir a extensa fila de espera. Isso acontece, principalmente, porque a demanda é muito maior que o número de doadores. Pode-se atribuir tal quadro, especialmente, à recusa de muitas famílias em permitir a doação dos órgãos. Logo, evidencia-se a necessidade de remediar essa situação.
Primeiramente, é importante destacar que, de acordo com o Ministério da Saúde, existem cerca de 44 mil pessoas na fila de espera, ao passo que, até o fim do ano, é esperado que se alcance o número aproximado de 3500 doadores. Como resultado dessa disparidade, é comum que a espera por um novo órgão seja longa, de modo que muitos pacientes morrem antes de conseguirem o transplante.
Outro aspecto de suma relevância e que contribui para tal panorama, é a recusa de muitas famílias em autorizar a doação. Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em 2013, quase metade dos familiares de pacientes com morte cerebral não permitiram a doação. Isso é grave, visto que colabora diretamente para a grande incompatibilidade entre o número de pacientes e doadores.
Conclui-se, portanto, que são necessárias medidas, vindas de diferentes atores sociais, para incentivar e aumentar a doação de órgãos. Em primeiro lugar, é importante que a pessoa com intenção de ser doadora informe sua família da decisão para que, assim, ela saiba o que fazer em caso de fatalidade. Ademais, também é imprescindível que o corpo hospitalar seja treinado para lidar com esses casos, de modo a saber a melhor forma de abordar os familiares e, dessa forma, aumentar as chances de que a doação seja autorizada. Por fim, o Ministério da Saúde deve veicular campanhas a diferentes mídias, com o objetivo de informar as pessoas, para que elas entendam melhor o processo, e incentivá-las ao mostrar a importância da doação de órgãos. Com tais ações, é possível salvar a vida de mais brasileiros.