Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 23/10/2019

O clássico “O Mágico de Oz” conta às aventuras vividas por quatro personagens durante o caminho que percorrem para encontrar o mágico, pois acreditam que ele é o único que conseguirá ajudar cada um a suprir a necessidade que deseja. Um dos personagens, o Homem-de-Lata, almeja por um coração devido à simbologia sentimental que esse órgão possui. Análogo à ambição do personagem, no contexto atual o desejo por um órgão encontra-se paulatinamente presente na vida de alguns brasileiros, entretanto a deficiência na doação destes é o principal obstáculo entre o cidadão e o mágico. Por isso, é necessário o debate sobre a realização da pratica de concessão.

Em primeiro plano, vale ressaltar que ,segundo Bauman, o homem moderno nega toda ligação de subordinação com as instituições sociais, abdicando das crenças, regras e valores impostos por elas, guiando-se somente na sua visão pessoal. Assim, esse individualismo enfraquece a solidariedade e estimula a insensibilidade em relação ao sofrimento do outro. Dessa maneira, a falta de empatia, do doador, ou da família - que de acordo com a legislação brasileira é a responsável por autorizar a doação caso um ente familiar venha a óbito e não tenha manifestado a decisão anteriormente-, tem como consequência a morte de muitas pessoas que se encontram na espera de um transplante.

Além disso, vale ressaltar também, que a situação deficiente da educação brasileira sobre a doação de órgãos é outro fator impulsionador do problema. Esse fato é comprovado quando comparada à dos países que possuem os melhores serviços de captação de órgãos do mundo, como Espanha e Estados Unidos, por exemplo, nos quais a temática da doação é trabalhada com os alunos desde a infância. Por isso, a falta de conhecimento e de auxilio adequado aos pacientes e aos seus familiares durante a vida, proporciona o receio da aprovação da doação e consequentemente aumenta a necessidade de órgãos nos bancos de transplante.

Diante do exposto, seria viável que o Ministério do Desenvolvimento Regional, juntamente com o Governo, direcionasse as verbas necessárias para que os ambientes hospitalares tenham uma melhor infraestrutura para a coleta dos órgãos doados, com a finalidade de proporcionar maior segurança ao paciente que os receberá. Além disso, o Ministério da Educação deveria incentivar os professores, por meio de projetos e campanhas, a tratarem sobre a importância da doação de órgãos em aulas cujo tema é anatomia humana, de forma a exercer uma consciência coletiva, como dizia Durkeim, a respeito da situação atual que se encontra os bancos de doações de órgãos.