Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/10/2019

A série televisiva, Greys Anatomy, retrata em diversos episódios, as dificuldades enfrentadas no processo de doação de órgãos. Fora da ficção, vê-se que na sociedade hodierna, o número de doadores de órgãos para transplante aumentou 7% no primeiro semestre do ano de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do O Globo, por mais que seja considerável, o número de receptores supera de maneira exacerbada a quantidade de doadores. Dessa forma, a falta de informação corrobora com conflitos éticos, religiosos e sociais, resultando ao não consentimento das famílias para doação e ao maior  tempo de espera na fila de transplante.

A princípio,  devido a falta de políticas públicas quanto a informação, no Brasil, a  recusa familiar é maior. Segundo médicos e especialistas, a principal causa influenciadora para o não consentimento familiar a respeito da doação de órgãos, é a falta de desinformação. Cabe pontuar, assim, a Constituição de 1988, que reconhece a saúde como direito de todos e dever do Estado. Diante disso, nota-se que os pilares para esse direito, em muitos casos, são negligenciados, tal que por motivos de  insciência no processo de doação, as famílias rejeitam a retirada, contribuindo para o aumento das filas de espera.

Por conseguinte, o Brasil é uma das principais economias do mundo, porém há indicadores sociais que o aproxima de países miseráveis, em razão de o desenvolvimento econômico contradizer a ideia de bem-estar e igualdade social, em que às discordâncias por motivos de religião, ética e social acentuam a problemática da doação de órgãos, de madeira que há evidencias da retirada de órgãos para a venda. Segundo o geógrafo Milton Santos, a globalização se apresenta como fábula por invisibilizar acontecimentos sociais, pois a desigualdade social é perversa, tornando as relações sociais mais limitadas. Nesse contexto, o  roubo dos órgãos como forma de corrupção nos hospitais, complica a situação de quem aguarda na lista de transplantes, inviabilizando a ação solidária de diversas pessoas.

Logo, é notório que medidas devam ser tomadas mediante a esse cenário presente na sociedade brasileira. Portanto, é necessário que o Governo tome como prioridade campanhas. Essa ação deve ser feita por meio das políticas midiáticas e profissionais como: médicos, enfermeiros e psicólogos, com a  criação de campanhas com o lema: “Sem doador não há transplante”, a fim de mostrar a todos quais são os benefícios para quem recebe os órgãos doados e desmistificando esteriótipos estabelecidos, disposto a evidenciar a liberdade de escolha, em diferentes horários nos televisores, de modo que atinja o público em diferentes faixas etárias.