Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/10/2019
No filme estrelado por Will Smith intitulado “Sete vidas”, o personagem que apresente pouco tempo de vida tenta se inserir na vida das pessoas que serão receptoras dos órgãos doados por ele após sua morte. Embora seja uma obra ficcional, a doação de órgãos é uma realidade que apresenta vários entraves para sua real efetivação como a resistência familiar do doador pós morte como também a má distribuição de profissionais qualificados para realização de transplantes.
Em primeiro plano, a doação de órgãos esbarra na autorização de familiares que não entendem a importância do ato. Nesse sentido, dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) indicam que mais de 45% dos parentes não autorizam a cirurgia de retirada dos órgãos o que dificulta a realização dos transplantes. Dessa forma, a falta de conscientização impede que muitas vidas sejam salvas.
Além disso, as equipes especializadas em realização de transplantes se encontram concentradas nas regiões mais desenvolvidas do Brasil. A esse respeito, o Ministério da Saúde afirma que existem mais de mil equipes preparadas para realizar esse tipo de cirurgia no país entretanto, há um número infinitamente maior dessas equipes localizadas nas regiões Sul e Sudeste e quase nenhuma nas regiões Norte e Nordeste. Evidenciando assim, que algumas regiões enfrentam ainda mais dificuldades para que haja a doação.
Impende, pois, que medidas visando reduzir esses obstáculos sejam implementadas. A mídia deve criar estratégias visando conscientizar os familiares da importância de doar os órgãos dos seus entes falecidos, por meio de campanhas publicitárias comoventes que retratem casos de sucesso de transplantes já realizados. Ademais, o Ministério da Saúde deve organizar uma melhor distribuição de equipes de cirurgias pelo país, criando polos regionais de transplantes, a fim de aumentar a cobertura nacional desses procedimentos. E assim como no filme “Sete vidas”, conseguir fazer a diferença na vida de várias pessoas.