Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/10/2019

Ao analisar o cenário de doação de órgãos no Brasil, é perceptível as dificuldades enfrentadas para superar este dilema. Sabe-se que o Brasil está em segundo lugar em transplantes de órgãos, mas para que isso seja possível, é necessário transformar a dor de uma perda em oportunidade de vida. Neste contexto, observa-se que a escassez de órgãos se deve à falta de conhecimento, que resulta em não autorização de doação e medo de um transplante ilegal.

Segundo a lei, a família é o agente responsável por autorizar a doação de órgãos do paciente diagnosticado com morte encefálica, em que as funções neurológicas se ausentam, mas outros órgãos continuam em funcionamento. No entanto, isto se torna um entrave no sentido de que a família é colocada em uma situação decisiva em um momento de sofrimento e, muitas vezes, com ausência de informações claras sobre o assunto. Com isso, muitas famílias não autorizam a doação de órgãos, enterrando seu familiar em boas condições de saúde, enquanto outra pessoa morre por não receber um órgão a tempo.

Além disso, a escassez de órgãos abre oportunidade para o transplante ilegal, em que acontece diagnósticos errôneos de morte encefálica, e/ou a troca de órgãos por dinheiro. Os criminosos - geralmente, profissionais da área da saúde- vêm nos familiares leigos sobre o assunto, uma chance de obter vantagem sobre a situação, o que prejudica a credibilidade de se tornar doador. Neste contexto, o empenho e ética das equipes multiprofissionais são fundamentais no processo de doação e transplante, pois precisa-se desfazer a insegurança dos familiares e esclarecer eventuais preocupações a respeito da instituição e do possível procedimento a ser realizado.

Portanto, com base no que foi apresentado, é imprescindível que medidas sejam tomadas para resolver este impasse. Para isso, é preciso que o Ministério da Saúde, com o apoio das mídias, promova campanhas voltadas para a doação de órgãos, por meio de palestras em escolas e universidades, debates sobre o assunto e propagandas, para esclarecer dúvidas pertinentes das famílias leigas, assim como, conscientizar pessoas a declararem –aos parentes próximos- o desejo de ser doador. Dessa forma, a informação sobre o assunto será disseminada com maior transparência e esclarecimentos, tornando-se possível reduzir os dilemas em torno do baixo número de doação de órgãos.