Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 24/10/2019
O sociólogo Émille Durkheim afirmou que a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico devido ser composta por partes que interagem entre si. Sob esse viés, para esse organismo ser coeso, torna-se necessário a prática de ações altruístas, as quais são fundamentais para o avanço da comunidade civil, pois podem ser instrumento de salvar vidas, além de ser símbolo de unidade. Dessa forma, a questão da doação de órgãos enfrenta dilemas, em razão das baixas informações disseminadas e a infraestrutura precária do sistema de saúde, revelando a complexidade da problemática.
Mormente, o documentário brasileiro Anjos da Vida narra a dificuldade da trajetória de médicos e enfermeiros em busca de doadores de órgãos para atender uma longa fila de espera, evidenciando um grande dilema. Desse modo, a infraestrutura precária do sistema de saúde intensifica a manutenção do cenário vigente, devido a escassez de instrumentos médicos, além da preparação efetiva da equipe médica, causando um caos na sociedade civil. Consequentemente, o investimento em estruturas básicas e assistencialismo proporciona maior qualidade de vidas as pessoas necessitadas de transplante e a diminuição d gradativa da espera.
Ademais, a baixa disseminação de informações acerca da doação de órgãos possibilita o receio das famílias, conforme dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos- ABTO, representando aproximadamente metade da população. Segundo o renomado geógrafo Milton Santos: Sociedade alienada é aquela que enxerga o que separa, mas não uni seus membros. Logo, essa ação altruísta é reduzida no cenário contemporânea, em virtude do desconhecimento dos mecanismos usados e a mentalidade errônea enraizadas, acarretando as longas filas no sistema básico de saúde.
Dessarte, há diversos dilemas para doação de órgãos, o que interfere na interação coesa da sociedade, conforme idealizou o sociólogo Durkheim. Diante disso, o Estado, na figura do Poder Legislativo, deve elaborar um Projeto de Lei, o qual busque intensificar medidas de divulgação e segurança da realização do procedimento, por meio da aplicação de verbas na modernização do sistema de saúde com instrumentos cirúrgicos e na capacitação dos médicos brasileiros baseada em metodologias internacionais, além de possibilitar a expansão de informações em locais de grande movimentação como escolas e centros urbanos, colocando dados da ABTO. Por fim, essas medidas têm a finalidade de diminuir as filas de espera para transplante e romper a mentalidade enraizada.