Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 25/10/2019
Para o escritor Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Essa afirmativa evidencia o quanto a solidariedade é importante para a sociedade. Hoje, ela está presente, por exemplo, na doação de órgãos que, muitas vezes, salva vidas. Entretanto, no Brasil, essa doação, infelizmente, não é tão significativa devido à falta de informação e a negação das famílias. Dessa forma, cabe uma análise acerca das causas e consequências dessa problemática.
Primeiramente, muitas pessoas não possuem informação a respeito da doação de órgãos. Isso faz com que, apesar da rede pública de transplantes do país ser uma das mais eficientes do mundo, não se tenha uma redução significativa do número de indivíduos na fila de espera. Para a economista Patrícia Fonseca - receptora de um coração- , “onde não existe informação, não existe liberdade de escolha”. Assim, por causa da ausência de informações, lamentavelmente, os indivíduos acabam perdendo o seu direito de escolher.
Por conseguinte, embora o falecido tenha deixado por escrito o seu desejo, a família do indivíduo acaba negando o transplante de órgãos. Segundo a ABTO - Associação Brasileira de Transplante de Órgãos -, a taxa de não autorização das famílias é de 43%. Logo, esse número evidencia o quanto, infelizmente, a afirmação de Franz Kafka não está presente de forma efetiva no cenário brasileiro.
Fica claro, portanto, que a doação de órgãos tem passado por impasses no Brasil. Para que o número de órgãos doados seja ampliado, urge que a mídia faça, por meio da televisão, reportagens que esclareçam o processo do transplante de órgãos. Tais reportagens, além de abordarem o processo, devem tratar de exemplos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelo recebimento de algum órgão. Só assim, a afirmação de Franz Kafka se tornará efetiva na sociedade e, desse modo, muitas vidas serão salvas.