Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/10/2019

A ideia de doar órgãos está presente na história humana desde a Antiguidade, de acordo com estudos sobre a Civilização Grega. Entretanto, apenas no século XIX realizou-se um transplante bem sucedido conforme o padrão praticado hodiernamente. Nesse sentido, a doação de órgãos, no Brasil, ainda enfrenta dilemas para sua efetiva popularização que se relacionam com o desconhecimento social e falta de infraestrutura da área de saúde do país.

Mormente, no Brasil, os transplantes dependem da autorização da família do doador, que, geralmente, sofreu morte encefálica. Dessa forma, a ignorância social a respeito desse quadro clínico e do processo de doação interferem no assentimento desse procedimento, pois os familiares tendem a evitar a autorização por não terem entendimento sobre a real condição do doador e do receptor. De fato, o educador Paulo Freire acreditava que sem educação não haveria mudança. Logo, há necessidade de educar a sociedade brasileira a respeito da transferência de órgãos, conforme o pensamento de Freire, para que, assim, o número de doações aumente.

Ademais, a péssima infraestrutura dos hospitais e postos de saúde nacionais acomete a efetivação do transplante. Sobre esse assunto, a Carta Magna de 1988 garante como direito social o acesso à saúde de qualidade aos cidadãos. Todavia, na prática, a área de saúde encontra-se em má qualidade, devido á falta de equipamentos e à má qualidade estrutural dos edifícios - o que contraria o direito constitucional e interfere na doação de órgãos, uma vez que prejudica a realização das cirurgias para transplante. Isso é visível, analogamente, no seriado da Rede Globo “Sob Pressão” em que é retratada a realidade dos hospitais públicos brasileiros.

Portanto, os dilemas enfrentados pela doação de órgãos, que se relacionam à ignorância social e estatal, devem ser combatidos. Dessa forma, o Ministério da Educação, visto que é ele o responsável pela formação direta dos cidadãos, deve fornecer informações a respeito do transplante e suas condições para jovens e adultos, por intermédio de projetos educacionais nas escolas e de propagandas nas mídias brasileiras, com fito de informar e, assim, conscientizar a população a respeito do procedimento. Além disso, o Estado deve melhorar a qualidade de atendimento e da infraestrutura de hospitais e postos de saúde, por meio de maiores investimentos e reformas quinquenais nas estruturas dos edifícios, a fim de garantir o direito social estabelecido na Constituição Federal. Assim, será possível aumentar o número de transplantes de órgãos no Brasil e, consequentemente, salvar a vida de diversos pacientes.