Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 25/10/2019

Na famosa série médica “Grey’s Anatomy”, é recorrente a internação de pacientes com necessidades de transplantes. Na trama, devido a inúmeras barreiras legais e sociais, infelizmente, essas doações são dificultadas. Fora da ficção, ainda há um dilema na doação de órgão no Brasil, sendo motivado pela falta de informação governamental sobre essa prática e pelo foco biomédico da medicina hodierna. Por conseguinte, é urgente o debate e a resolução dessa problemática hodierna.

A princípio, é fundamental analisar o descaso com a divulgação e explicação da doação de órgãos no Brasil. Nesse prisma, de acordo com a Constituição Federal de 1988, cabe aos familiares decidirem o destino dos órgãos do ente querido que falecer. Assim, devido à falta de informação e os estigmas existentes, as famílias, com receio dessa prática, recusam assinar os papeis da doação, prejudicando as pessoas que esperam receber os órgãos. Com isso, o Estado deve fornecer as informações necessárias para a população, os esclarecendo sobre esse gesto que pode salvar várias vidas.       Ademais, é imprescindível ressaltar, para além das barreiras informacionais, a necessidade de uma intervenção médica mais humanitária. Tangente a isso, segundo a escritora Helen Keller, o fruto mais sublime da educação é a tolerância. Entretanto, devido a formação acadêmica muito voltada para a área biomédica, os médicos esquecem de analisar os pacientes e as famílias como seres humanos, não apenas doenças ou órgãos. Nesse viés, a família que perde um parente está em um estado de fragilidade, necessitando de um apoio e de um contato mais sensível com os profissionais, podendo, assim, convence-las a fazer a doação dos órgãos.

Infere-se, portanto, que ainda há barreiras que dificultam as doações de órgão no Brasil, sendo urgente medidas de intervenção. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, ampliar o conhecimento da população acerca das doações de órgão, mediante a divulgação em mídias televisivas e em redes sociais de campanhas que expliquem esse gesto que pode salvar vidas, com isso, sensibilizando a população a aderir essa prática. Concomitantemente, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), promova uma medicina mais humanística, por meio de palestras nos ambientes acadêmicos, assim, capacitando os profissionais da saúde para mediar a doação. Só assim, garantindo que a realidade demostrada na série fique limitada à ficção.