Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/10/2019
Para o pensador brasileiro Paulo Freire, “O diálogo cria base para colaboração”. Nesse sentido, o esclarecimento e debate sobre a doação de órgãos é fundamental para ratificar os mitos e dilemas sobre o procedimento. No Brasil, a recusa familiar representa um grande entrave à realização do trasplante, pois somente ela pode autorizar a doação. Entre os principais motivos da negação estão: a não compreensão do diagnóstico de morte encefálica e a falta de discussão prévia entre a família e o doador.
A morte encefálica é um quadro irreversível em que ocorre a parada total de todas as funções celebrais. Contudo, apesar da falência do cérebro, o coração continua batendo e é a irrigação sanguínea que mantém os órgãos viáveis para doação. A circulação é mantida artificialmente, por meio de aparelhos e medicamentos, enquanto a Central de Transplantes é avisada e a família é notificada da situação. Em suma, o problema nessa situação é a falta de entendimento e explicação dificulta assimilação de que o ente esteja morto, quando a suporte a vida. Nessa circunstância, a autorização ao trasplante é interpretado pela família como assassinato. Nota-se, a necessidade da educação dos profissionais de saúde, específica ao processo, para a melhora do índice de captação de órgãos.
De acordo com o nefrologista José Medina Pestana, integrante da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – ABTO – a principal justificativa das famílias para não doarem órgãos é o fato de nunca terem conversado sobre o desejo de doar, por isso é tão importante esse diálogo dentro da família. Assim, com a comunicação haverá a maior possibilidade de colaboração à diminuição da espera de mais de 32 mil pessoas, que lutam por um novo recomeço. É importante salientar como errônea a ideia que religião cristã condena o procedimento, doar é um ato de amor e empatia aprovado por Jesus.
Portanto, os dilemas da doação de órgãos serão ratificados com o diálogo e o acesso a informação essencial. Exigindo profissionais de saúde que eduquem os cidadão a abertura empática e compressão do procedimento, a partir de debates em escolas, campanhas de incentivo, cartazes informativos e relatos nas mídias sociais. Para assim, modificar a opinião pública quanto aos conceitos errôneos e crenças desfavoráveis. A comunicação é o primeiro passo à vitória de milhões de pessoas.