Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/10/2019
De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil é o 2º país no ranking mundial de doação de órgãos. No entanto, esse dado não supera a meta, que é de 16,5 doadores por 1 milhão de habitantes. Nessa perspectiva, infere-se que tal problema está ligado à questão social, bem como estrutural. Assim, cabe avaliar como tais fatores exercem influência nessa questão.
Em primeira análise, vê-se que o egocentrismo é um fator influente nos impasses da doação de órgãos. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em sua teoria denominada ´´Modernidade líquida``, na sociedade contemporânea emerge o individualismo. Analogamente, determinadas famílias se negam a doar os órgãos de seus parentes em virtude da falta de altruísmo, ou seja, da preocupação com o próximo, mesmo diante de sua dor. Dessarte, não conseguem analisar a situação de novas oportunidades de vida e esperança para outras famílias.
Outrossim, depreende-se que a desinformação acerca do protocolo da doação de órgãos é um impasse para alcançar a meta da ABTO. Por certo, o fato de o transplante não ser um assunto discutido na sociedade, gera ignorância, que se deve à falta de estrutura. De acordo com o Ministério da Saúde, 47% das famílias se recusam a ceder parte do organismo de seus parentes em caso de morte cerebral - perda irreversível das funções do cérebro e posteriormente, de todo corpo. Tal fato é consequência da estruturação governamental na divulgação de tais questões.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o individualismo e a falta de informação acerca do transplante de órgãos. Cabe ao Ministério da Saúde investir em campanhas de divulgação - que retratem a questão de todo o processo - por meio das redes sociais e TV. Ademais, o Ministério da Educação deve promover palestras e projetos, em escolas e universidades, que discutam a necessidade de novas oportunidades de vida por meio da doação de órgãos, a fim de alcançar uma sociedade altruísta, para que a meta da ABTO seja alcançada.