Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/10/2019
Na sociedade brasileira, embora exista intento dos governantes em evoluir no contexto social, ainda é tímida, infelizmente, a sensibilização governamental acerca dos dilemas para a doação de órgãos no Brasil. Nesse sentido, existem fatores que favorecem esse quadro insatisfatório, como a ausência de políticas públicas eficientes, do setor estatal, e a carência de informação da maior parcela da nação.
A princípio, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil teve um aumento de 7% no número de doações de órgãos no primeiro semestre de 2018, o que evidencia um progresso significativo no âmbito da saúde pública. Todavia, tal cenário configura-se, ainda, instável para a população receptora de órgãos - a qual aumenta em fluxo contínuo - uma vez que o poder estatal atua ainda de forma ineficiente no que diz respeito a sensibilização da comunidade brasileira e na oferta de mecanismos para a família do doador. Sob esse viés, é indispensável que o Estado entenda os efeitos dessa conjuntura para o futuro.
Além disso, é imperativo ressaltar a carência de informação da população brasileira como um fator impulsionador dessa problemática. Uma analogia com a teoria de “Habitus” proposta pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, é possível inferir que a sociedade incorpora princípios e valores ao longo de sua construção. Partindo desse pressuposto, esses aspectos juntamente ao desprovimento de informação, contribuem substancialmente para coibir a doação de órgãos, a exemplo das religiões,, que embora a maioria delas não sejam contra a esse procedimento, é fato que a família possa sentir receio no que essa ação possa significar religiosamente.
Diante do exposto, urge que o Estado, por meio do Ministério da Saúde, forneça ajuda à família do doador com assistência psicológica, a fim de não só aumentar as possibilidade de doações de órgãos, como também será possível prestar mecanismos de ajuda para a família do doador. Ademais, o Estado deve, por intermédio da mídia e de instituições governamentais, criar campanhas de conscientização para a comunidade brasileira, com o intuito de tornar os cidadãos brasileiros mais abertos à doação de órgãos. Feito isso, tais problemas serão cada vez menos recorrentes no Brasil.