Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 02/11/2019
Na série norte-americana “The Good Doctor”, é retratado, ao decorrer da trama, como o transplante de órgãos pode salvar vidas, quando feito no período correto. Nesse sentido, a narrativa foca na trajetória de Shaun Murphy, um médico que diariamente analisa e se desafia com cada paciente que surge no hospital. Fora da ficção, é fato que a prática apresentada sobre doações de órgãos em “The Good Doctor” diverge da realidade brasileira. Essa situação é fruto tanto da recusa das famílias por causa de seus dogmas, quanto da falta de infraestrutura para um procedimento rápido.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, em função das famílias não compreenderem o conceito de morte encefálica, contribui para a recusa da doação de órgãos. Algumas religiões costumam, dentro desse sentido, ser usadas como razão para não doar, mesmo que nenhuma outra doutrina se posicione contra tal prática. Segundo o filósofo Sócrates, “os erros são consequências da ignorância humana”. Desse modo, a incompreensão da ciência, faz com que aumente o número de mortes entre vítimas, resultado da desinformação da população.
Por conseguinte, presencia-se uma forte incapacidade governamental em investir na infraestrutura. Segundo os dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgão, o Brasil desperdiça ao menos 50% dos órgãos propícios para transplante por falta de notificação dos casos de morte encefálica, despreparo das equipes que abordam as famílias dos doadores e infraestrutura hospitalar inadequada para manter o doador até a retirada dos órgãos. Ademais, é preciso no Brasil, melhorar a condição de Saúde Pública e desenvolver uma melhor qualidade de serviços para a conjuntura em que se apresenta.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias em redes sociais que detalhem o conceito de morte encefálica, e como a doação dos órgãos do falecido podem salvar de mais vidas, investindo também em equipes qualificadas e equipamentos de alto feitio, transmitindo assim, segurança ás famílias. Dessa forma, será possível combater a ignorância e a falta de recursos, e cenários como o retratado em “The Good Doctor” serão desejavelmente alcançados.