Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 26/10/2019
O longa “Sete Vidas”, protagonizado por Will Smith, mostra a vida de um agente de imposto de renda que carrega uma grande culpa e, ao procurar por redenção, decide doar seus órgãos para sete desconhecidos. No entanto, a doação de órgãos no Brasil, que vem sido discutida constantemente no congresso, não é bem assim. A razão entre o número de pessoas na fila de doação e o número de doadores é desproporcional.
Antes de tudo, é importante salientar que o Brasil está em 2º lugar no ranking mundial de transplante de rim. Porém, segundo o Registro Brasileiro de Transplante de Órgãos, em 2019 houveram cerca de cinco mil potenciais doadores e metade das famílias não autorizou a doação. Visto que a decisão é tomada durante o luto, a falta de conhecimento prévio a respeito de quantas vidas podem ser salvas e sobre o que significa uma morte cerebral, corrobora para a recusa da doação pelas famílias.
Ademais, o procedimento de transplante de órgãos exige profissionais qualificados e insfraestrutura de primeira qualidade em prontidão, pois o tempo de utilidade do órgão a ser doado é curto. Todavia, o Sistema Único de Saúde (SUS) poucas vezes oferece os recursos necessários, no tempo certo, para o procedimento, sobretudo no âmbito cirúrgico, que é onde se encontra o maior déficit da saúde pública.
Retomando a trama abordada em “Sete Vidas”, é evidente que o conhecimento sobre o benefício de ser um doador implica na decisão do indivíduo, enquanto vivo, e da família, no luto. Neste sentido, se faz importante que o Ministério da Saúde promova, através da mídia televiosionada e virtual e em eventos comunitários em espaços públicos, campanhas sobre o que significa a doação de órgãos, a fim de que a população cívica sinta-se incentivada a autorizar a doação prévia de seus órgãos para a família, diminuindo a grande desproporção entre a fila de espera e o número de doadores.