Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/10/2019
No filme “Uma prova de amor”, após descobrir que sua filha tem um tipo de doença, uma mãe decide ter outra filha geneticamente modificada para doar órgãos para sua irmã. Fora da ficção, embora a modificação genética ainda não seja possível, a doação de órgãos é e enfrenta grandes problemas que precisam ser resolvidos, como o desconhecimento do processo de doação e o despreparo de determinadas regiões do Brasil para tal processo.
Sem dúvida a falta de informações sobre como são as etapas da concessão de órgãos no Brasil influencia consideravelmente a decisão das famílias dos falecidos. Segundo Bertrand Russell, a finalidade da educação é civilizar, ou seja, tornar o ser humano capaz de reconhecer a humanidade dos outros. Tendo isso em mente, uma vez que a família não conhece o processo de doação, pois não foram educadas para isso, é difícil para eles entenderem que a distribuição dos órgãos do falecido pode salvar mais de uma vida e é um ato de solidariedade.
Outro problema encontrado quando se fala em doação de órgãos é a falta de recursos para tal em determinadas regiões do Brasil, como o Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De acordo com Karl Marx, a necessidade econômica não determina as ações da sociedade, mas estabelece seus limites. Levando esse pensamento em consideração, os territórios Sul e Sudeste abrigam a maior concentração monetária e tecnológica do pais, inclusive em ambientes hospitalares. Entretanto, as outras zonas são mais pobres e, por isso, carecem de recursos, como hospitais, melhores condições hospitalares e locais de armazenamento ideais para os órgãos.
Com o intuito de ensinar as pessoas acerca do processo de transferência de órgãos e como isso é um ato extremamente generoso, o Ministério da Educação deve incluir na Base Comum Curricular o ensino desse processo e, o Ministério da Saúde deve criar campanhas sobre o assunto que poderiam ser divulgadas em meios como televisão, rádios e hospitais. Ademais, a fim de aumentar a eficiência da doação nas regiões mais pobres e diminuir a fila de espera, o Ministério da Fazenda deve destinar mais verba à saúde nesses territórios com a construção de novos hospitais e locais de armazenamento e no transporte dos órgãos. Fazendo isso, o Estado vai garantir a vida de milhares de pessoas.