Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 27/10/2019

Segundo o sociólogo Jean Jacques Rousseau, o homem é produto do meio em que vive, isto é, suas relações moldaram seu caráter. Nessa perspectiva, é possível identificar que o dilema da doação de órgão no Brasil é regido por diversos preconceitos enraizados na sociedade, sendo que um dos mais recorrentes é a corrupção existente nas filas de espera para o recebimento de algum órgão. Diante disso, é imprescindível uma ação estatal voltada ao controle de fake news relacionadas à esse tema.

É importante ressaltar, primeiramente, a importância da doação de órgãos para a vida humana. De acordo com Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), atualmente, cerca de 30 mil pessoas estão aguardando na fila de transplante por uma oportunidade para continuar vivendo. Nesse contexto, nota-se que há uma parcela significativa da população nessa situação e, analogamente, um país com dimensões continentais como o Brasil, em que morrem tantas pessoas, seja por razões naturais ou relacionadas à violência urbana, deveria haver mais pessoas dispostas à doarem. Contudo, isso não vem ocorrendo, muito por conta da desinformação que é disseminada pelas redes sociais.

Ademais, cabe mencionar que o Estado vem tomando providências para que ocorra aumento de doações de órgãos no Brasil, uma vez que está tramitando no Congresso Nacional uma proposta de autoria do senador Major Olímpio que torna todo cidadão brasileiro doador, salvo manifestação contrária. Dessa forma, a tendência é que haja um aumento dos índices de doação. No entanto, é preciso que esse tema seja melhor debatido.

Portanto, o Estado, como instituição garantidora do debate público, deve, através de fóruns regionais, conversar com a população sobre a importância em ser doador de órgão, oferecendo, como estímulo, benefícios que motivará a sociedade. Tal medida tem por finalidade a conscientização da população acerca dessa temática. Além disso, é preciso moldar o meio, para que no futuro esse transforme os cidadãos em pessoas mais humanas, conforme dito por Rousseau.