Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/10/2019

Com o avanço das novas tecnologias, a agilidade e facilidade para obter-se algo vem crescendo significativamente. Entretanto, tais tecnologias não substituem atitudes básicas como ser doador, seja de sangue, tecidos ou órgãos. No Brasil, são inúmeros os desafios para ser doador e para receber uma doação, o processo para conscientizar a população sobre esse tema de tamanha importância ainda é extenso e carece de atenção.

A doação de órgãos só pode ocorrer em casos que a pessoa tem morte encefálica, ou seja, das funções cerebrais. Assim, médicos e responsáveis da área entram em contato com a família do falecido, que são os únicos que podem autorizar o transplante. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), 47% das famílias são contrárias à doação, mostrando que o desejo de doar ainda é pouco dialogado nas casas, tornando o processo ainda mais complicado.

Agregado ao obstáculo para tornar-se doador, está o caos de quem espera pela doação. A precariedade do sistema de saúde no Brasil põe vidas em risco pela falta de suporte e profissionais capacitados para a realização dos procedimentos. O tempo entre tirar o órgão de um paciente, transportar e implantar em outro é muito curto, e sem um preparo prévio acaba sendo ineficiente.

Conclui-se que o sistema de doação de órgãos no Brasil ainda é precário e necessita de ajustes. Deve haver maior aproveitamento das mídias, transmitindo conteúdos explicativos sobre o tema, para que as famílias debatam e saibam os detalhes do processo que pode salvar vidas. Ao governo, cabe o investimento na capacitação de novos profissionais e criação de centros especializados no assunto, para solucionar a precariedade atualmente encontrada.