Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 28/10/2019
Segundo Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Contudo, no Brasil, a ideia de Kafka não é muito praticada devido à existência de empecilhos no que diz a respeito da doação de órgãos, tais como a falta de informação por parte da população e a má distribuição das equipes de transplantes pelo país.
Primeiramente, devemos considerar que a discussão sobre o tema é escassa, pois é vista por muitos como um tabu social. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), das 6 mil possíveis doações apenas 30% foram autorizadas pelas famílias de pacientes com morte cerebral. Assim é possível perceber que a falta de informação a cerca do processo de retirada de órgãos faz com que haja negação, principalmente porque há a ideia errônea sobre comercialização deles e também da irreversabilidade da morte encefálica.
Além disso, há uma grande concentração de equipes capacitadas para realizar o procedimento nas regiões Sul e Sudeste, enquanto outras sofrem com a escassez desse serviço. Segundo o presidente da ABTO Lúcio Pacheco, enquanto em São Paulo há 20 equipes para realizar transplante de fígado, em outros estados não há. Sob esse viés, percebe-se que quem não mora nos grandes centros são desfavorecidos pois não tem como receber o serviço sem médicos para realizar as cirurgias.
Dado o exposto, medidas são necessárias para mudar essa situação. Para isso, é necessário que as escolas incorporem a temática nos conteúdos curriculares dos diversos níveis de estudo, com intuito de conscientizar a sociedade sobre a importância de que quando morrer seus órgãos poderão salvar várias pessoas. Ademais, cabe ao Governo investir recursos para formação de novas equipes capacitadas e direcioná-las para os estados em que há escassez desse serviço, para garantir atendimento igualitário para toda população.