Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 28/10/2019

Na telenovela brasileira “Em Família”, é retratado o cotidiano do empresário Cadu, que possui uma doença crônica no coração e necessita de um transplante, porém o mesmo não consegue o tratamento e o coração a tempo e falece. Analogamente, fora da ficção, tem-se o baixo índice e os dilemas da doação de órgãos no Brasil como reflexo de um país não desenvolvido. Isso ocorre tanto pela falta de sensibilidade social, quanto pela fraca estruturação no campo da saúde.

Diante desse cenário, tem-se o preconceito e a ausência de empatia social como um do fatores que colaboram para extensão da problemática, já que os indivíduos decidem não doar os órgãos saudáveis dos parentes por uma simples questão de estética ou religiosa. Corroborando essa ideia, o filósofo em questões morais,Zygmunt Bauman,já afirmava que a sociedade moderna está em liquidez, ou seja cada vez menos empática e com relações interpessoais fracas. Desse modo, fica nítido a irresponsabilidade social com os indivíduos que precisam de um transplante para sobreviver, haja vista que os cidadãos escolhem não realizar a doação por falta de desinformação a respeito do procedimento, por medo de denegrir a imagem do falecido com a desconstrução de seu corpo, ou por questões religiosa. Esse fato aumenta ainda mais a fila de indivíduos a espera de um transplante.

Outrossim, vale pontuar sobre a falta de estrutura no campo da saúde como outro principal impasse, uma vez que o Sistema Público não dispõe de artifícios capazes de acelerar o processo do transplante ou transportar o órgão até o hospital. Essa questão pode ser comprovada com pesquisas realizadas pela Universidade de São Paulo (USP), as quais afirmam que 48% dos transplantes de órgãos não ocorre devido a demora no transporte desse unidade. Dessa forma, fica evidente o descaso dos órgãos governamentais com esses indivíduos, já que não fomentam mecanismos suficientes para auxiliá-los antes, durante e após o processo cirúrgico. Ademais, a falta de profissionais qualificados para realização do procedimento de transplante em algumas áreas do país dificulta o translado do paciente que muitas vezes não possui condições financeiras para arcar com os custos.

Portanto, para conseguir aumentar o número de doações de órgãos no Brasil, é necessário que o Ministério da Justiça elabore programas que abordem a temática em campanhas publicitárias disseminadas em redes sociais, como Twitter e Instagram, bem como implementem nos hospitais públicos helicópteros para transporte dos órgãos, e forneça ao paciente auxílio durante todo processo para gastos eventuais, como alimentação e transporte. Esses programas serão financiados por meio de parcerias com instituições privadas, com o fito de incentivar a população à aderir a doação, bem como melhorar a qualidade dos hospitais brasileiros para realização desses procedimentos cirúrgicos.