Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
Conforme a Constituição Federal de 1988, é assegurado a todos os brasileiros o direito à liberdade, segurança e saúde. Em contrapartida, o último não se concretiza integralmente, visto que ainda há longas esperas para a obtenção de órgãos no país e a temática de doação, que é necessária para salvar as vidas de vítimas de acidentes ou doenças, não é debatida suficientemente.
Inicialmente, a partir do Renascimento Cultural, a medicina avança em nível exponencial, possibilitando, desde o século XX, que transplantes de órgãos aconteçam. Em oposição, mesmo com toda a tecnologia disponível, o assunto persiste sendo tratado como tabu, já que é considerado um tópico sensível, pois trata do momento da morte de um parente. O contexto da perda muitas vezes desestabiliza emocionalmente os familiares, podendo levá-los a não respeitar o desejo da doação e essa não será realizada, por não haver nenhum documento com valor legal que indique essa vontade.
Ademais, o sistema de saúde pública brasileiro possui enormes listas de espera para receber órgãos. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, em 2016, mais de 2 mil pessoas morreram à espera de um transplante. Em consequência, tais fatores podem levar à procura por alternativas muitas vezes ilegais, como o tráfico de órgãos, para tentar salvar alguém próximo. Esse problema apresenta riscos altos, pois é necessário se submeter à cirurgias insalubres na esperança de poder viver mais alguns anos.
Portanto, é indispensável que o Governo Federal crie um documento que explicite o desejo de ser doador e aprimore o sistema de saúde, tornando-o prioridade, através de investimentos em novos hospitais e em mais recursos para esses, com melhores políticas econômicas de manuseio do dinheiro público. Assim, será possível proporcionar uma vida mais saudável à população brasileira, conforme determinado na Constituição.