Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
No início da década de 30, foi realizado o primeiro transplante de órgão no mundo. Essa façanha ocorreu na Ucrânia, no ano de 1933, quando um cirurgião transplantou um rins em um homem para o tratamento de insuficiência renal aguda. Nessa perspectiva, no ano de 1978, foi desenvolvida um droga anti-rejeição, aumentando consideravelmente o sucesso desse tipo de cirurgia. Contudo, o medo fomentado por algumas crimes, como o tráfico internacional de órgãos, por exemplo, tornou-se um das principais barreiras para o engajamento de algumas pessoas na doação voluntária. Dessa forma, o precário sistema educacional brasileiro, como também o posicionamento do Estado diante desse infortúnio têm contribuído para esse cenário.
A princípio, nota-se que a educação no Brasil é conteudista, nesse sentido, mecanizada. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausentes de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam sendo vítimas de falsas notícias, como a “fake news” que narrava a entrada no banco de doadores de órgão como uma forma de desvalorização da vida, visto que os médicos iriam negligenciar o tratamento de saúde, visando os componentes dos sistemas fisiológicos humano. Desse modo, essa política do terror influencia diretamente na falta ofertas voluntarias de órgãos no país.
Em segundo plano, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para o aumento do dilema da oferta de órgãos no Brasil, pois, apesar de haver na Constituição Federal, de 1988, o direito à saúde e educação, a falta de políticas públicas voltadas para a divulgação da importância da doação de órgãos tem sido um dos principais problemas, tendo em vista que a falta de informação das maiorias dos brasileiros reflete no medo de serem vítimas de criminosos ligados ao tráfico internacional de rins e coração. Essa insegurança social acarreta, nessa lógica, na baixa procura por doadores de componentes fisiológicos humanos.
Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar com os infortúnios ligados à oferta de órgãos no Brasil. Para isso o Ministério da Educação deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos infantil e médio, como a semana da vida, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre a importância da doação de órgãos para o tratamento de algumas doenças crônicas, como a insuficiência renal, por exemplo, criando a confiança nas campanhas de doação, aumentando, assim, com o número de doadores no país.
houve outros tipos de cirurgias de substituições de órgãos e tecidos em vários outros países. Contudo, a taxa de sucesso nesse tipo de procedimento era muito baixa, tendo em vista que, apesar do avanço da medicina, é muito comum os médicos enfrentar problemas como a rejeição.