Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é construído um modelo de sociedade que se caracteriza pela ausência de problemas. Porém, no Brasil, devido à persistência do dilema da doação de órgãos, é impossível que o pensamento de More seja praticado. Isso ocorre, principalmente, por falta de políticas governamentais e pela manutenção de valores religiosos. Diante disso, torna-se fundamental a análise desses aspectos, a fim de mudar essa realidade.
A princípio, é importante destacar que o Estado possui o fito de promover a harmonia da sociedade. De a cordo com o filosofo Thomas Hobbes, o governo é quem deve desenvolver mecanismos os quais contribuam para o bem estar social. Visto isso, é possível afirmar que ações governamentais são fundamentais, para o fim dos problemas relacionados a doação de órgãos.
Além disso, cabe mencionar que a preservação de valores religiosos corrobora para a manutenção desse quadro. Os Judeus, por exemplo, não concordam com a doação de órgãos e com a transfusão de sangue. Dessa forma, não há como negar que o problema irá se manter até que a relação entre religião e doação seja flexibilizada.
Portanto, medidas são necessárias para mudar, gradativamente, esse quadro. Logo, o Estado, por meio de verbas governamentais, extraídas do orçamento destinado ao financiamento dos gastos com a saúde pública, deve estimular a doação de órgãos, com melhores condições hospitalares, com contribuições financeiras para a família daqueles que se disponibilizaram a doar e com campanhas publicitárias. Por outro lado, é importante que a mídia utilize filmes, séries e documentários a fim de flexibilizar a opinião dos religiosos, com relatos de pessoas que estão vivas graças a doação e com a exposição da prevalência do direito a vida, para que, aos poucos, essa parcela de indivíduos participem das doações. Somente assim, esse problema será superado.