Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa, na realidade contemporânea, é o oposto do que o autor prega, uma vez que a doação de órgãos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de infraestrutura e profissionais treinados, quanto da falta de conhecimento da população sobre a irreversibilidade da morte encefálica, sendo a principal causa de recusa de doações. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que essa dubiedade deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais ocorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, há uma precariedade no que diz respeito a estrutura dos hospitais e capacitação dos profissionais responsáveis pela realização de transplantes. Desse modo faz se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente, a fim de ampliar e atender a grande demanda de pacientes que estão na fila de transplantes.
Ademais, é imperativo ressaltar a ignorância da maior parte da população acerca desse assunto, como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, cabe citar a ausência de campanhas publicitárias com o objetivo de esclarecer a população da necessidade de ser um doador, e em caso de morte de algum membro da família ter a consciência de que esse gesto poderá salvar várias vidas. Segundo dados divulgados pelo Ministério da saúde, o país teve um aumento de 7% no número de doações no primeiro semestre de 2018, sendo considerado o maior sistema público de transplantes do mundo, 90% das cirurgias são feitas pelo Sus, mesmo diante desse dado promissor, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de conhecimento e divulgação contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática na sociedade Brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar tais problemas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital, que por intermédio do Ministério da Saúde, será revertido no aumento da infraestrutura dos hospitais e na qualificação de profissionais. Posteriormente, é indispensável que a mídia, através de campanhas publicitárias, possa conscientizar a população acerca da importância de ser um doador de órgãos. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e logo prazo, o impacto nocivo desses problemas, e a coletividade alcançará a Utopia de More.