Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/10/2019

Em 1954, em Boston, foi realizado o primeiro transplante de órgão vital que aconteceu entre dois irmãos gêmeos, situação que foi premiada com Nobel de Medicina. Entretanto, uma substancial parcela dos brasileiros se mostra indiferente a essa conquista, de modo que não há uma cultura pertinente de doadores de órgãos no Brasil, geralmente, em detrimento tanto da desinformação da sociedade quanto da infraestrutura inadequada.

Primeiramente, vale destacar que a ausência de conhecimento pela população reflete, diariamente, na porcentagem de doadores. De acordo com a ABTO (Agência Nacional de Transplantes de Órgãos), entre janeiro e junho de 2019, houve mais de 68% de não doadores que eram aptos ao transplante. Consequentemente, tal ação colabora para o aumento das filas de pessoas que necessitam de um órgão vital. A partir disso, é evidente a importância sobre a disseminação desse assunto, e como acontece a transferência de órgãos.

Além disso, outro aspecto que emerge para agravamento da problemática é a má infraestrutura do sistema de saúde brasileiro. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar social, principalmente, a vida dos cidadãos. Ademais, no processo de transplantação de órgãos é fundamental a presença de um ótimo serviço público, tendo em vista que são necessários inúmeros cuidados para manter um determinado corpo adequado para a transferência de órgãos. Todavia, em paralelo com o pensamento de Hobbes, o Brasil não condiz com essa realidade, pois, possui dificuldade quanto a qualidade ao serviço de saúde.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar os entraves que impedem grande parte da doação de órgãos. Destarte, cabe aos meios de comunicação disseminarem informações sobre a necessidade de doar, por meio de campanhas publicitárias, com a finalidade de convencer a população a se tornarem novos doadores. Além do mais, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, setor governamental responsável pela saúde pública, invista em profissionais e estruturas adequadas para a realização de transplantes, por intermédio de cursos de capacitação e ambientes seguros, com o intuito de resguardar eficientemente uma vida. Somente assim, esse problema que perdura-se atualmente poderá ser revertido.