Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 29/10/2019
Segundo o escritor irlandês Bernard Shaw, “Ninguém é melhor por ter nascido em determinado país ou família”. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto, um vez que os dilemas da doação de órgãos apresentam barreiras para concretizar esse pensamento. Desse modo, medidas sociopolíticas devem ser debatidas e compreendidas, haja vista que a educação reflexiva e o cumprimento constitucional são essenciais para contrapor essa problemática.
Nessa circunstância, é importante ressaltar a educação como propulsor das mudanças sociais. isso por que ela é responsável por desconstruir padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, refletidos nos dilemas da doação de órgãos, já que o ensino formal, no Brasil, é deficitário e pouco prepara o cidadão no que tange ao senso crítico para lidar com esse problema. Nessa perspectiva, segundo o site UOL, essa realidade é justificável, já que, por não haver na grade curricular disciplinas de caráter reflexivo, muitos transplantes são perdidos devido a ignorância ou falta de conhecimento das pessoas acerca do assunto. Desse modo, urge a necessidade de desenvolver a conscientização estudantil para que a problemática seja minimizada.
Outrossim, é indubitável que a transgressão à Constituição esteja entre as causas do problema. Nessa lógica, o filósofo John Locke afirma que a política deve ser usada para garantir o bem-estar da sociedade. Porém, é notável que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos mínimos, visto que não proporciona aos cidadãos o devido esclarecimento sobre as doações de órgãos. Essa lamentável condição de vulnerabilidade a qual encontram-se é percebida no aumento do tráfico de órgãos e na falta de políticas contra esse crime, em que países como Brasil, China e Rússia se destacam, segundo o site Marli Vieira. Dessa forma, o Estado desconstrói a visão de um regime protetor de modo a causar exclusão e, por conseguinte, a violação do contrato social entre o indivíduo e o Governo.
Evidencia-se, portanto, medidas para reverter tal situação. Nesse contexto, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos às escolas para promover a formação de estudantes racionais, por meio de emendas, palestras, debates em grupo grupo, acerca do tema, visando moldar o pensamento estudantil em relação a doação de órgãos. Ademais, o Estado junto à mídia, devem promover campanhas publicitárias e propagandas de conscientização, para que dúvidas sejam sanadas e mais pessoas cadastrem-se, tornando-se, assim, possíveis doadores. Além disso, deve aumentar a fiscalização contra o trafico de órgãos, equipando às delegacias e policiais para melhor combater esse crime. Só então, a igualdade retratada por Bernard Shaw poderá ser alcançada.