Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/10/2019

De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de 2016 para o ano de 2017 houve um aumento de 16% na doação de órgãos no Brasil. No entanto, o país ainda está longe de alcançar a meta estabelecida pela ABTO, de 16,5 doadores efetivos por um milhão de habitantes, e uma das principais causas desse entrave é a negação por parte dos familiares dos potenciais doadores. Porém, esse quadro precisa ser revertido, pois a doação é um ato voluntário de amor que pode salvar vidas.

Primeiramente, é preciso salientar que no Brasil a doação de órgãos só é feita por meio do consentimento da família ou do companheiro após o diagnóstico de morte encefálica do paciente. Entretanto, observa-se que a falta de informação e conhecimento, tanto sobre a morte cerebral quanto sobre o procedimento da doação, somada ao momento de luto vivenciado,no qual o emocional fica abalado, faz com que a decisão de autorização da doação por parte dos parentes fique prejudicada. Prova disso, é a permanência de uma alta taxa de recusa da família, cerca de 43%,  em permitir o transplante.

Como consequência dessa negação familiar milhares de pessoas continuam na fila de espera para receber o órgão ou tecido que lhes salvaria a vida. Dessa forma, nota-se o peso que uma decisão positiva dos parentes tem na melhora desse cenário atual, ainda mais quando se leva em conta que um doador pode salvar a vida de até 8 pessoas. Assim, a dor da perda, por meio desse ato de amor, pode se transformar em uma nova esperança para muitos daqueles que aguardam na fila.

Logo, é imprescindível que o Ministério da Saúde promova campanhas, veiculadas tanto na mídia televisiva e radiofônica quanto na mídia digital, de divulgação de informações sobre a morte encefálica e o processo de transplante com o objetivo de levar esses conhecimentos até as famílias para que elas tenham maior consciência no momento da decisão de autorizar ou não a doação de órgãos de seus parentes.