Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2019

Promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e bem-estar social. Contudo, alguns dilemas sobre a doação de órgãos impossibilitam que a população dependente dos transplantes desfrutem desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, problemas como tráfico de órgãos de infraestrutura hospitalar são dilemas que devem ser superados para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Primeiramente, segundo Leandro Borges, coordenador médico do Spot-H, as filas de transplantes sempre serão maiores do que a oferta de órgãos devido ao envelhecimento da população aliado ao aumento da incidência de outras doenças, criando assim um aumento da demanda. Deste modo, é possível manter um sistema de captação de tecidos estável mas as filas ainda existirão, levando muitos a optarem pela compra ilegal destes para evitar filas de espera. De acordo com a Global Financial Integrity, ONG responsável pelo rastreio de fluxo financeiro ilícito, 10% de todos os transplantes no mundo acontecem via tráfico, o que leva as famílias dos possíveis doadores desconfiarem quanto às informações passadas pelos médicos e a suspeitar de corrupção e comércio ilegal de órgãos.

Faz-se mister, ainda, salientar que ao longo dos últimos anos o número de transplantes realizados tem melhorado, porem faltam melhorias principalmente na infraestrutura hospitalar para acompanhar a oferta de órgãos. Pois, se as pessoas doarem mais e não tiver uma organização para aproveitar a oferta, haverá um descrédito enorme das instituições médicas responsáveis.

Infere-se portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de politicas que visem à construção de um mundo melhor. Deste modo, cabe as organizações mundiais de saúde criarem uma alternativa para que os doadores de tecidos possam ver o destino dos mesmos, criando assim um banco de dados a qual indica se o órgão foi ou não transplantado,  diminuindo as desconfianças da população sobre o assunto. Também, é de responsabilidade dos governos mundiais a função de investir em uma melhor infraestrutura nos hospitais, com vista de que mais locais sejam capazes de realizar o procedimento, com a capacidade necessária de armazenamento e logística para que as doações sejam realizadas a tempo. Desse modo, os principais obstáculos para a doação de órgãos no Brasil serão superados e mais vidas serão salvas.