Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
Na série televisiva “Vis a Vis” realizada em um presídio feminino, verificamos que Soledad, uma das detentas, possui sérios problemas no coração e necessita com urgência de um transplante para viver. Após anos na lista de espera e diversas internações, a reclusa já se encontrava sem esperanças. De maneira análoga ao abordado na ficção, devido à existência de diversos obstáculos, a dificuldade na obtenção de órgãos é uma realidade enfrentada por diversos cidadãos no território nacional. Ainda que, segundo o site R7, tenha ocorrido o aumento de 15% nas concessões, não é o suficiente devido ao número de pessoas que necessitam. Dessa forma, é imprescindível compreender as motivações da problemática, com o objetivo de modificar esse cenário.
Observa-se, em primeira instância, a influência da família na evolução dessa questão. Haja vista que, no Brasil, a doação só é permitida com autorização dos familiares, muitos não possuem conhecimento em relação ao desejo da pessoa que faleceu de ser um doador, além da dificuldade em aceitarem o diagnóstico de morte encefálica. Desse modo, uma vez que perderam um familiar, dúvidas permeiam os parentes que não possuem assistência para lidar com a situação, o que faz com que suas primeiras atitudes sejam a negação da realização desse ato nobre. De acordo com dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), de 100 famílias 43 se recusam a fazer a doação.
Deve-se abordar, ainda, a ausência de uma infraestrutura eficiente para a efetuação desse trabalho. Segundo o jornal O Globo 93% dos procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde. No entanto, verifica-se inúmeras notícias que expõem as precárias condições de hospitais públicos por todo o país e da falta de profissionais capacitados para essa ação, devido, muitas vezes, à falta de verbas. Dessa maneira, constata-se que o Estado não se encontra preparado para atender a enorme lista de pacientes no Sistema Nacional de Transplantes. Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que a taxa investida em saúde no Brasil, é inferior à média mundial.
Infere-se, portanto, a premência de ações que reduzam os impasses da doação de órgãos no país. Logo, é imperioso que o Ministério da Saúde realize a contratação de psicólogos por meio de concurso, a fim de oferecer auxílio à parentela do concessor e facilitar a compreensão da importância desse feito em momentos de luto. Outrossim, o Governo Federal deve efetivar o aumento do orçamento destinado à saúde com o intuito de realizar não só melhorias nas clínicas, como também a efetivação de cursos profissionalizantes em parceria com o Ministério da Educação para profissionais da área médica, com a finalidade de alcançar maiores números de procedimentos. Somente assim, será possível garantir que mais vidas sejam salvas.