Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 29/10/2019

Na séria de TV “ Grey’s Anatomy” por diversas vezes relata-se o drama entre um paciente que necessita da doação de órgãos e um possível doador, onde, muitas vezes tal processo é barrado pela família desse. Entretanto, fora da ficção, este fato torna-se intrínseco a realidade de várias famílias brasileiras do século XXI. Tal questão merece zelo, pois além de ferir direitos fundamentais à vida reflete à secundarização desse assunto no cotidiano familiar.

Primeiramente, é valido ressaltar que a Constituição Federal de 1988 garante o direito à vida a todos cidadãos brasileiros e a legalidade da doação de órgãos -seguindo os critérios pré-estabelecidos, mas parece que isso não está acontecendo como deveria, pois muitos pacientes ainda esperam a doação em vão. Como exemplo, pode-se citar a lista de espera de aproximadamente 32.716 pessoas que aguardam um órgão, contra 3.420 doadores efetivos no ano de 2017, no entanto, as estatísticas de potenciais doadores chegam a 10.614, o que evidencia a urgência na mudança de paradigmas que propiciam a não efetivação dos transplantes.

Em segunda análise, é indubitável que a falta de informações e diálogo sobre o assunto no seio familiar seguem como alguns dos principais impulsionadores do problema. Visto que, a família é o principal intermediador entre um possível doador e quem necessita de doação, tal assunto deve ser debatido com maior fervor entre tais. Segundo o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si, de forma análoga, ao entender a dor do outro e ter o assunto bem debatido e claramente dissolvido, a harmonia do corpo social seria mais palpável, transformando a dor da perda em vida, consequentemente, transformando a dor da espera em alívio.

Portanto, é de suma importância para sanar as dificuldades encontradas por quem necessita de um transplante que os Estados, em parceria com o Ministério da Saúde e a mídia, promovam debates, campanhas e diálogos que levam a informação mais precisa acerca da doação de órgãos e os processos que a compõe. Por meio de cartazes, propagandas, exposições e congressos que auxiliem o entendimento total da população da importância do dialogo sobre a causa e que naturalmente acelerem o processo -que por se moldar em uma situação de angustia, sofre com a desinformação e consequentemente na agilidade em promover tal ação, assim, os processos serão cada vez menos escassos na realidade brasileira.