Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
A série “Grey’s Anatomy”, retrata ao decorrer da trama, como o transplante de órgãos pode salvar vidas, quando feito em condições adequadas. Não distante da ficção, na contemporaneidade brasileira, a doação de órgãos torna-se um impasse.Logo, esse dilema acontece devido à carência de informações da sociedade, sobre como é realizado tal processo, assim como, a insuficiente infraestrutura dos hospitais para possibilitar a transferência e conservação dos órgãos. Dessa forma, é necessário analisar tais fatores para que então, possam ser atenuados.
Em primeiro plano, é válido reconhecer que a desinformação da coletividade acerca da doação, torna-se um empecilho para que o procedimento aconteça.Apesar que,em 2018 tenha aumentado o número de doadores, de acordo com o G1, as famílias ainda se rejeitam à doar órgãos de parentes com morte cerebral. Isso ocorre porque, para uma parcela da sociedade, a morte encefálica é considerada semelhante ao coma, pois ao contrário da falência cerebral,no coma o paciente ainda tem possibilidade de viver, o que dá falsas esperanças para os parentes, que acabam negando o transplante de órgãos. De modo que, essa atitude termina por ratificar um juízo do filósofo Sócrates de que “os erros são consequência da ignorância humana”, no caso, o não querer praticar a doação de órgãos. Assim, é necessário combater essa desinformação para que mais vidas possam ser salvas.
Em segundo plano, é indubitável que o sistema público de saúde ainda tem uma insuficiente infraestrutura, para a mediação da transferência de órgãos. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes,é dever do Estado garantir o bem-estar social, sobretudo, a vida dos indivíduos. No entanto, em paralelo com o pensamento de Thomas, verifica-se que não condiz com a realidade,pois, o Brasil possui dificuldades com o sistema de saúde, como a indevida conservação de 60% dos fígados doados nos pronto-socorros de São Paulo, também como, a falta de manutenção do estado do doador, de acordo com Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Dessa maneira, é necessário investimentos para garantir segurança do transplante.
Destarte, é vital medidas para impulsionar a doação de órgãos na sociedade. Cabe ao Ministério da Saúde,o dever de, disseminar informações sobre os procedimentos dos transplantes, assim como, esclareça a diferença entre a morte encefálica e o coma, por meio de palestras e debates em escolas e universidades, que tenham o objetivo de influenciar a doação de órgãos e o diálogo das famílias sobre tal tema. Cabe ao Estado, por meio de verbas arrecadadas de impostos, a inauguração de mais UTIs para que auxiliem às que já existem,permitindo que pacientes com morte cerebral tenham seus órgãos conservados e posteriormente doados.Para que, então vidas sejam salvas como em “Grey’s Anatomy”.