Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2019

A dor da perda de um ente querido nunca será algo fácil, porém existe uma bondosa finalidade para peças-chave do corpo - em vez de simplesmente serem enterradas no chão e jogadas no lixo -. Assim, desde a salvação de receptores, até a função de propósito e utilidade para a morte, o ato de humanidade referente à doação de órgãos escancara a indispensabilidade dos tecidos de pessoas falecidas e, ainda, (con)clama por uma necessária mudança na lei brasileira. Logo, salvando a vida de milhares pessoas no Brasil e no mundo.

Apesar de a situação nacional ser considerada referência mundial, grande parte da população não reflete sobre o auxílio. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), no período de janeiro a dezembro de 2018, a recusa de doação familiar após a confirmação da indicação médica beira 45%, o que demonstra a falta de consideração e informação da população.

Ademais, os regulamentos brasileiros são por muitas vezes ineficientes, considerando a terrível escassez e a impossibilidade de expressar a vontade em vida. O sistema vigente é chamado em inglês de “opt-in” em vez de “opt-out”, isto é, optar por doar em vez de não doar, a mudança na regra poderia tornar mais frequente a concessão pela normalização. Para ser efetivada, é determinante a aprovação do responsável mais próximo, o que elimina a soberania do doador quando em vida e reduz a incidência de doação, pois a janela pós-morte é um período emocionalmente muito sensível.

Infere-se, pois, que o necessário diálogo sobre a doação de órgãos brada por salvadoras políticas públicas. Tornam-se imprescindíveis, por meio de projetos de leis e campanhas governamentais educativas, de modo a incentivar a doação de rins, fígados e outros tecidos, com a finalidade de reduzir a mortalidade e melhorar a expectativa de vida através do tratamento paliativo. Logo, beneficiando a vitalidade e diminuindo a dor da perda de mais pessoas.