Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
Em 1954, o médico Joseph Edward Murray ganhou o Prêmio Nobel da Medicina pelo primeiro transplante de órgãos vitais, no qual foi realizado em gêmeos univitelinos. Todavia, apesar de que os índices de doação no Brasil estejam aumentando, ainda não é suficiente para a demanda de pessoas que carecem de órgãos. Sob tal ótica, ainda que Murray tenha beneficiado o ramo medicinal, infelizmente mais de seis décadas se passaram e a sociedade ainda vê como um “tabu”, ocasionado pela falta de informação e desprezo governamental.
Em primeiro lugar, é válido destacar a falta de consciência do brasileiro em relação a real situação do receptor. Nesse sentido, muitos ainda não abordam esse tema com seus familiares a respeito de sua opção em relação a doação de órgãos por medo, preconceito, mas principalmente pela escassez de conhecimento; que segundo o psicanalista Freud, reprime os indivíduos ao tratarem temas como esse. Assim, esse senso equivocado continua sendo propagado para outras massas populacionais sem nenhuma informação verídica a respeito da necessidade e segurança do tratamento de doação.
Ademais, o Governo não investe regularmente no sistema hospitalar e no auxílio essencial para toda população. Assim, inúmeras famílias não permitem o transplante de órgãos do falecido. Outro fator, é a falta de confiança nos recursos clínicos devido a sua estrutura precária, ocasionando em uma lista de espera alarmante com relação a quantidade de doadores, mesmo que ainda esteja alteando. Isso porque, segundo o Ministério da Saúde 95% dos procedimentos são financiados pelo SUS.
Portanto, é necessário que sejam tomadas providências para melhorar o quadro atual. Desse modo, promovendo a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Estado e o Ministério da Saúde possibilitem mais acessibilidade, melhor infraestrutura para o Sistema Único de Saúde - e a criação de campanhas por meio das redes sociais através de aplicativos, detalhando o processo de transplante, mostrando sua relevância e sensibilizando o usuário a doar e compartilhar essa notícia, incentivando não apenas o número de doadores, mas também sua frequência.