Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 31/10/2019

O filme norte-americano “7 vidas” retrata que com um gesto, como doar  órgãos, pode salvar a vida de outras 7 pessoas. Fora da ficção, a realidade está distante, visto que apenas 50% da população autoriza a doação de órgãos, conforme jornal O Globo. Por conseguinte, isso ocorre devido o desconhecimento populacional dos procedimentos e conceitos como morte encefálica, além da falta de campanhas governamentais, o que dificulta a assimilação da importância desse ato.

A princípio, falta de ciência social envolta de conceitos básicos como morte encefálica e sua irreversibilidade impede a doação de órgãos. Nesse contexto, a morte encefálica baseia-se na ausência de funções neurológicas, mas o indivíduo ainda possui o funcionamento normal de todos os outros órgãos segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Desse modo, essa condição, pouco explicada para sociedade, proporciona a negação de morte por parte da família e consequentemente na desautorização da doação de órgãos do ente.

Ademais, a falta de divulgação, por intermédio de campanhas do governo, é um empecilho na doação de órgãos. Consoante a frase do filósofo Immanuel Kant: “O homem é aquilo que a educação faz dele”. Exemplo observado no assassinato da jovem Eloá que após sua morte teve seus órgãos doados e o ato repercutido na mídia, o que contribuiu com o aumento de 30% no número de doações. À vista disso, esse cenário contribui para a falta de assimilação individual acerca da importância da doação de órgãos e impede que muitas vidas sejam salvas.

Em suma, está claro que a doação de órgãos no Brasil encontra entraves para sua efetivação. Portanto, é imprescindível o auxílio do Ministério da Saúde, principal competência que rege os investimentos nesse setor, na informatização populacional, por meio de campanhas em outdoors e telas de cinema, durante todo o ano, a fim de alertar a  população na importância de doar os órgãos não apenas em morte, mas  em vida, como o sangue, e que esse ato pode salvar outras “7 vidas”.