Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 01/11/2019
Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 196, é dever do Estado garantir o direito à saúde para todos os cidadãos. Dessa forma, houve a criação de programas de saúde pública como o transplante de órgão, em que o Governo cobre cerca de 95% dos custos. Embora seja um exemplo no âmbito internacional, fatores negativos como a falta de infraestrutura e a desinformação da população impedem que a sua ampliação não seja efetivada no país.
Convém ressaltar, a princípio, sobre a precária conjuntura estrutural dos hospitais públicos em evidência. Apesar de existir leis rígidas, como a dupla confirmação da morte encefálica feita por dois médicos de qualquer especialização, as famílias ainda se sentem inseguras quanto à permissão ao ato de caridade. Isto se deve pela pobre imagem estabelecida pelos indivíduos sobre as instituições de saúde, bem como é explícita no cotidiano dos brasileiros. Além disso, há a indisponibilidade de mais transportes aéreos para serviço de locomoção do órgão, causando uma certa preocupação até para os profissionais de saúde.
Em segundo plano, cabe salientar sobre a concepção da sociedade como um “organismo biológico” ao todo, segundo o sociólogo Émile Durkheim. Nesse contexto, é indubitável que a solidariedade de cada pessoa é fundamental salvar pacientes em busca da esperança. Porém, a barreira da falta de informação e a desconfiança agravam no aumento da rejeição de ser um doador e, em seguida, a fila de espera da doação. Nesse sentido, é inegável de que pequenos gestos e atitudes das pessoas e do Governo colaborariam significativamente na sobrevivência de muitas vidas em risco.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Portanto, por meio de verbas destinadas pelo Executivo, urge que o Ministério da Saúde promova reformas na melhoria dos serviços de saúde pública como um todo. Esta mudança teria como objetivo implantar uma maior confiança e a eficácia dos programas prestadas e por conseguinte trazer tranquilidade e segurança sobre a doação de órgãos. Por fim, as empresas midiáticas teriam como função transmitir conhecimentos sobre a importância e os detalhamentos desse procedimento. Dessa maneira, a reflexão do “organismo biológico” de Durkheim poderá ser consolidado.