Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, importante filósofo grego, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade vivenciada pelos indivíduos que estão na fila de espera para receber órgãos. Dessa forma, em vez de tentar aproximar a realidade descrita pelo filósofo da vivenciada pelo corpo social, a infraestrutura precária dos hospitais e a recusa da família contribuem para a persistência dessa situação estarrecedora.
Em primeira instância, é preciso ressaltar que o sistema de saúde pública pouco facilita o processo da doação de órgãos. Nessa perspectiva, o local em que o doador está, muitas vezes, não possui infraestrutura suficiente e quando a equipe chega para a remoção do órgão, esse já não é mais viável. Sendo assim, muitos órgãos são perdidos por falta de investimento do Estado para com a saúde pública, fazendo com que a fila de espera cresça e, em alguns casos, o receptor morra esperando a doação. Dessa maneira, os hospitais não passam confiança para as famílias, as quais tem o direito de vetar ou consentir a doação de órgãos de seus parentes.
Outrossim, vale frisar que por não possuir um documento oficial que registre a aprovação do doador, a família se torna responsável por essa questão. Contudo, essa se faz um empecilho, às vezes, para ofertar os órgãos do seu familiar, ora por crenças religiosas, ora por não confiar no sistema de saúde.. Nesse contexto, há uma desconfiança por parte da parentela, posto que o Brasil vende órgãos ilegalmente para outros países, conforme o jornal Estadão.
Fica evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas para modificar a realidade, pois de acordo com o jornalista irlandês, George Shaw, o progresso é impossível sem mudança. Cabe ao governo investir na infraestrutura e segurança dos hospitais, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) - dado que é esse quem faz todo o processo da doação e transplante - com o intuito de validar todos os órgãos doados. É dever da mídia, também, criar propagandas mediante aos meios de comunicação para divulgar a importância da doação de órgãos em favor da vida, a fim de conscientizar os familiares sobre tal quesito. Só então o princípio de Platão será colocado em prática no Brasil.