Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2019

A obra “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley retrata um futuro distópico, em que os seres humanos são produzidos em laboratórios. Nela, não existem doenças e a aparência da velhice é controlada por medicamentos. Na sociedade hodierna, em que não existe a fabricação de pessoas e órgãos, o panorama da constante poluição do ambiente - pelo uso de agrotóxicos e emissão de gases prejudiciais a saúde - facilita a ocorrência de enfermidades. No entanto, apresar da grande incidência de problemas no organismo, a medicina encontrou uma possível solução, a doação de órgãos, porém, ela é dificultada pela venda desses produtos ilegalmente e impulsionada pela falta de divulgação. Desse modo, torna-se imprescindível debater acerca das causas desse entrave.

A priori, é necessário analisar como a tecnologia favorece a compra e venda de órgãos. A Guerra Fria foi uma corrida armamentista que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, ela popularizou o uso da internet, pois era usada para realizar a troca de informações pelo exército. Nos dias atuais, a internet é utilizada para diversas funções, entre elas o comércio ilegal, impulsionado pela facilidade na busca pelo anonimato e pelo intercâmbio de criptomoedas que geram o ambiente propicio para a venda de órgãos e dificultam a doação pois na comercialização há retorno financeiro. Logo, é notável que a internet reduz os números de transplantes.

Outrossim, compete ressaltar que não existe incentivo estatal para a realização desse ato. Segundo a Agência Brasil, entre 2004 e 2014, o número de doações cresceu mais de 60%, fruto do esforço de especialistas e da solidariedade das famílias. No entanto, percebe-se que não houve nenhuma corroboração estatal para melhorar o atual panorama, isso é decorrente da alienação das autoridades perante as demais realidades sociais que julgam esse entrave como de segundo plano. Isso é evidenciado pela quantidade de projetos de leis fúteis e ausência do incentivo a esse impasse. Dessa forma, torna-se evidente o esquecimento do governo sobre esse tema.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Para reduzir a comercialização de órgãos ilegalmente, urge que o Legislativo, em parceria com a Polícia Federal, crie leis específicas para punir a ocorrência de mercados ilegais, por meio da ajuda dos departamentos de inteligência da polícia para a localização desses centros de compra e venda. Além disso cabe ao Ministério da Saúde a criação de campanhas de incentivo a doação de órgãos, visando aumentar o alcance e conscientizar as pessoas acerca desses atos em prol da sociedade, por meio de publicidades na mídia. Somente assim esse entrave se amenizaria.