Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2019

Em 1954, o médico Joseph Edward Murray realizou o primeiro transplante de órgão vital, que lhe garantiu o prêmio Nobel de Medicina. No entanto, substancial parcela dos brasileiros não valorizam a conquista por Murray e se mostram indiferentes quanto a doação de órgãos. Com efeito, há de se desconstruir a desinformação populacional e a omissão estatal.

Cabe pontuar, em primeiro plano, que a falta de conhecimento inviabiliza as doações. Nesse contexto, a morte encefálica - quadro clínico definitivo - consiste na perda total ou irreparável das funções cerebrais. Entretanto, a família na hora da dor e por ter um exíguo conhecimento, nutre a esperança de que o paciente voltará a viver, o que representa  grave obstáculo para as doações, uma vez que não há muito tempo para a decisão. Nesse viés, não é razoável que a falta de informação dê lugares a filas de transplantes cada vez mais distantes.

Outrossim, é válido salientar a negligência estatal como um empecilho para doação de órgãos. Nesse contexto, a primeira lei promulgada sobre transplantes estabelece a doação consentida, segundo a qual a responsabilidade é da família. Não obstante, as políticas públicas para informar a população e prepará-los para essa decisão, são insuficientes e ineficazes. Desse modo, os pacientes que estão na fila de transplante serão cada vez mais prejudicados, e a saúde pública fragilizada. Todavia, enquanto a inércia estatal for a regra, as doações serão a exceção.

Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas para mitigar a problemática. Para tal, o Governo Federal aliado ao Ministério da Saúde, deve incentivar as famílias para realizarem conversas sobre doações, por meio de campanhas e anúncios em locais públicos- ônibus, metro - em redes sociais e canais televisivos mais acessados. Essa medida tem a finalidade de sensibilizar e informar a população acerca da importância das doações, e incentivar o consentimento familiar premeditado. Dessa forma, a desinformação populacional e a inércia estatal, não serão obstáculo para a valorização da conquista de Murray.