Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
A segunda guerra mundial levou muitos países a adquirirem o costume de doar sangue e outros órgãos. No Brasil, foram poucas ou inexistentes as guerras e desastres naturais que mobilizaram a população a aderir a esse costume. Atualmente, existe um deficit preocupante na doação de órgãos no país tropical. Dentre os principais fatores estão a cultura da população e a falta de estrutura hospitalar.
O povo brasileiro não tem costume de doar órgãos. Isso deriva de uma série de fatores, dentre eles está a falta de eventos na história nacional que torna a prática mais comum. Em uma matéria da BBC news Brasil, ‘‘O que falta para o Brasil doar mais sangue’’ expôs que acontecimentos catastróficos em um país, como uma guerra ou tsunami, inclinam uma nação a adquirir o hábito da doação de órgãos. Ao passo que, não apenas a falta de solidariedade impede o brasileiro de agir de modo similar, mas a mínima conscientização que envolve o procedimento. Por exemplo, a morte cerebral é pouco compreendida, os familiares de uma pessoa que se encontra nesse estado acreditam que o quadro seja reversível, então não optam por permitir a retirada de órgão para doação. Logo, faz-se necessário uma maior conscientização frente ao tema.
Além disso, as equipes hospitalares especializadas em retirada de órgão para doação não estão bem distribuídas pelo país. De acordo com o portal de notícias G1 de Goiás, uma mulher com morte cerebral perdeu a chance de fornecer nove órgãos por falta de equipes médicas competentes. Isso mostra que, além da escassez de materiais, a falta de profissionais especializados é um problema grave na melhora e rapidez do atendimento. Consequentemente, é preciso solucionar esse problema nos estados mais necessitados.
Em suma, é necessário que o governo promova campanhas anuais conscientizando sobre a doação de órgãos, por meio de um mês inteiramente dedicado a isso, incentivando principalmente escolas a participarem, com manifestações culturais a serem apresentadas. Assim, a população brasileira poderá superar a falta de conhecimento sobre o tema a nível familiar. Ademais, as universidades formadoras de médicos e enfermeiros precisam aumentar o número de profissionais especializados nisso, por meio de projetos de extensão que mostrem um pouco mais da profissão. Desse modo, mais alunos serão atraídos para o ofício.