Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2019

De acordo com uma pesquisa de 2017 do Ministério da Saúde, as doações de órgãos cresceram mais de 16% em comparação ao ano anterior. Contudo, o país ainda não alcançou a meta necessária de aproximadamente 16 doadores a cada milhão de habitantes, segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). Diante desse cenário, faz-se necessário garantir o aumento das doações de órgãos no Brasil.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que o individualismo da família do falecido é um fator determinante para os números de doadores se manterem abaixo das metas estabelecidas, uma vez que a decisão final cabe aos parentes, mesmo que esse potencial doador tenha deixado explícito, enquanto vivo, que desejava doar seus órgãos e tecidos.  Como consequência disso, tem-se o eventual aumento do tempo médio de espera por um transplante, ocasionando, muitas vezes, o óbito desses receptores.

Convém mencionar, também, que não há um pleno diálogo entre  possíveis doadores e seus familiares, em virtude desse tema ser um antigo tabu na sociedade brasileira. Essa ausência de comunicação influencia a família a assumir uma posição mais conservadora, mesmo quando há a possibilidade de doar os órgãos dos seus entes, assim corroborando para a persistência de índices insatisfatórios de doações efetivadas.

Perante esses fatos, as escolas devem promover debates e palestras sobre o modo que um doador efetivo afeta positivamente a vida de outras pessoas, com o objetivo de diminuir o individualismo do brasileiro e incentivar a empatia e o altruísmo, levando, a longo prazo, ao aumento das doações de órgãos. Além disso, o Governo Federal deve promover, com o auxílio do Ministério da Saúde, campanhas publicitárias que contenham informações sobre o processo de doação e transplante de órgãos, visando acabar com os mitos e temores sobre esse tema. Dessa forma, será garantido um real aumento nos números dessas doações.