Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
Em “sete vidas”, o personagem principal decide doar seus órgãos como uma forma de se redimir por ter causado um acidente e causado a morte sete pessoas. Mais adiante, a obra expõe a importância do ato solidário que proporciona uma segunda chance à vida. Nesse contexto, a crítica delineada compreende a atual problemática brasileira quanto aos dilemas éticos e burocráticos da doação de órgãos, tornando necessário encontrar subterfúgios a fim de resolver tal mazela.
Convém ressaltar, a princípio, que a lei vigente de transplantes no país dita que os familiares são os que devem decidir pelo falecido se os órgãos serão doados. No entanto, com a perda do parente o luto e sofrimento são inegáveis, e tais desamparos emocionais influenciam na desistência da captação. De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 30% dos aptos realmente doam, e a fila de 36 mil pessoas esperando uma oportunidade tende a crescer ininterruptamente.
Outro ponto pertinente à questão é o descaso governamental à causa. É evidente que a falta de informação da população induz a resistência. Nesse sentido, cabe salientar que mesmo em escolas o tema não é discutido, e muito menos compreende os conteúdos propostos ao currículo disciplinar. Tal fato contribui com a crescente recusa de doar, que de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, representa 45% dos casos.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir o direito constitucional da vida ao brasileiro. Faz-se necessário que o Ministério da Saúde exiba, em horário nobre, informações pertinentes à doação de órgãos por um profissional qualificado, a fim de divulgar a disponibilização do cadastramento de futuros doadores por meio de um site. Ademais, a interação da plateia para possíveis dúvidas da própria população desmitifica os dilemas éticos, aumentando o número de solidários e diminuindo a fila de espera no Brasil.