Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
O artigo 6 da Constituição Federal de 1988 declara a saúde como um dos direitos sociais do ser humano. Todavia, essa garantia não é posta em prática no que se refere ao dilema da doação de órgãos no Brasil, tendo em vista o alto número de pessoas nas filas de transplantes, algo que priva o direito à saúde de muitos indivíduos. Tal problemática persiste no país, não só pela falta de doadores suficientes, como também pelas insuficientes políticas públicas que incentivem a ação.
Mormente, é válido ressaltar o baixo número de doadores de órgãos no Brasil hodierno. Muitas pessoas, por questões de crenças e problemas de aceitação familiar, não concordam em doar seus tecidos para salvar vidas quando falecer, o que priva outros indivíduos de ter uma vida tranquila. Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo do século XX, a parcela da população tende, de fato, a ser incapaz de tolerar o que é diferente. Nesse sentido, grande parte da sociedade, por achar a doação de órgãos uma prática incomum, não apta-se a ser doadora para ajudar outras pessoas, prática inaceitável, haja vista que priva o direito à saúde, atitude que vai contra a Constituição Federal, e prejudica as relações de solidariedade com o próximo.
Outrossim, as poucas políticas públicas de incentivação à doação de órgãos colabora para o agravamento do problema. Por mais que exista diversas campanhas, ainda são insuficientes para alcançar a população geral, principalmente as mais desfavorecidas, onde a falta de informação é um grande problema. De acordo com Emillé Durkheim, sociólogo do século XIX, o indivíduo é influenciado pelo meio na sua forma de pensar e agir. Destarte, é essencial o maior empenho do Estado em promover o incentivo à doação de órgãos, principalmente em áreas onde o acesso à informação é bastante precário, tendo em vista que quanto mais pessoas forem noticiadas sobre a importância da doação de órgãos, maior será o número de doadores e, consequentemente, de vidas salvas.
Urge, portanto, que o Ministério da Saúde, visto que tem grande poder de influência no meio, através de campanhas publicitárias em postos de saúde, televisão, jornais e rádios, incentive a população a ser doadora do órgãos, com ações que mostrem a importância de ser um doador e a grande ajuda que esses indivíduos irão fornecer para quem precisa, com o fito de diminuir o número de pessoas nas fila de transplantes, garantir um maior número de vidas salvas e melhorar a saúde de diversos cidadãos brasileiros. Com essas atitudes, o artigo 6 da Constituição Federal realmente será posto em prática e irá fornecer o bem- estar do tecido social.