Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
O artigo quinto da Constituição Federal garante a todos os brasileiros e residentes no país a inviolabilidade do direito à vida. Entretanto, o Brasil enfrenta um grave problema com relação à doação de órgãos, visto que, devido ao individualismo exacerbado do ser humano, muitos pacientes morrem ao esperar por doadores.
A priori, um entrave é o individualismo, marcado pela falta de empatia, característica cada vez mais comum no homem moderno, que não se preocupa com o próximo. De acordo com o filósofo Zygmund Bauman, vive-se atualmente uma modernidade líquida, na qual há uma supervalorização do indivíduo e enfraquecimento das relações interpessoais. Dessa forma, é evidente notar que tal característica relaciona-se com o descaso da população com a doação de órgãos, não importando com as vidas que poderiam ser salvas.
Por conseguinte, devido a essas atitudes, muitas pessoas enfrentam situações difíceis na espera por um transplante, como a má qualidade de vida, dependência de tratamentos dolorosos e cansativos, como a hemodiálise. Ademais, muitos perdem a vida nessa luta por um órgão. Exemplo disso são os dados divulgados pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, mostrando que mais de 26 mil pessoas aguardam por um rim. Assim, fica clara a complexidade e urgência de solucionar tal problema.
Em suma, diante do que foi exposto, a fim de conscientizar a população, é mister que a escola, principal formadora da moral, ensine aos alunos a importância da doação de órgãos, por meio das aulas de Biologia, desconstruindo os mitos e as aversões em relação ao tema. Dessa forma, a Constituição Federal será cumprida e essa parcela da população, que necessita dessas doações, terá sua vida garantida.