Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
De acordo com escritor Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil”, o cidadão brasileiro é um ser cordial. O qual age de acordo com o coração, ou seja, com a emoção, sendo carinhoso e solidário com os outros ao seu redor. No entanto, no que tange a doação de órgãos no Brasil, a sociedade pode ser vista de forma oposta a essa definição de cordial. Pois, ainda percebe-se um pensamento retrógrado em grande parte da população. Lamentavelmente, a falta de conhecimento e/ou empatia das famílias, sobre a real importância da doação de órgãos, impedem o salvamento de muitas vidas.
Em primeira análise, vê- se que a escassez de informação é um fator determinante para que ainda haja déficit na doação de órgãos. Pois, muitos familiares não compreendem corretamente a constatação de morte encefálica, e acreditam que por estar “respirando” e o coração “batendo” o paciente ainda está vivo. Embora o levantamento da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), em 2018, aponte uma taxa de 43% de recusa das famílias, era perceptível um discreto crescimento no número de doadores, o que trouxe esperança para os enfermos que aguardavam na lista de transplantes. Entretanto, neste ano, entre janeiro e março, observou- se uma diminuição das doações efetivas, e revelou um cenário entristecedor. Inúmeras famílias, que poderiam ter suas expectativas de vida aumentadas, ainda aguardam, muitas em situações delicadas, por um órgão.
Como já dizia o escritor Frank Kafka, “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Seguindo esse pensamento e tendo em vista que, empatia é definida como a capacidade psicológica de um indivíduo se colocar no lugar de outra pessoa, para sentir o que é sentido por ela. É indubitável que, a falta de empatia, é um grande fator que propicia a negação dos familiares do possível doador. Uma vez que, a população brasileira tem dificuldade de se colocar no lugar do outro, o indivíduo não entende e não pensa que poderia ser ele ou seu familiar precisando de um órgão. Fica evidente, então, que o brasileiro não é mais um ser cordial, como definido na década de 30, pois em sua maioria solidarizam-se apenas com suas próprias necessidades.
Dessa forma, o Deputados e Senadores devem se unir e se inspirar na Holanda, criando uma lei decretando todos os habitantes doadores, mas com a ressalva de que se algum indivíduo não quiser ser doador, poderá declarar-se como tal. Além disso, Ministério da Saúde deve administrar ações de mídia social, incluindo nas artes, como filmes, telenovelas e seriados, temas que abordam a importância da doação de órgãos. A partir da promoção de conscientização da notoriedade de ser um doador, a taxa de doadores aumentará. Ao passo que, a doação de órgãos é um ato de solidariedade e amor ao próximo, deve ser difundida entre todos de todas as camadas sociais.