Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 30/10/2019
A série de TV brasileira, Sob Pressão, em um episódio relata a história de Bete, a mãe de um rapaz que dá entrada no hospital após um acidente de moto. Visto que, ela fica muito abalada ao saber que o filho teve morte cerebral, por isso se recusa a doar os órgãos do rapaz. No século XXI, a problemática ocorre em virtude principalmente, da falta de informação, acompanhada pelo tráfico de órgãos. Dessa maneira, faz-se indispensável enfrentar essa realidade com uma postura crítica, de forma que mais pessoas possam escolher a doação e salvar outras vidas.
A princípio, torna-se capaz de perceber que no Brasil a Lei número 9.434, de fevereiro de 1997 diz a respeito da doação de órgãos. Percebe-se uma realidade diferente, uma vez que o número de doação ainda é muito baixo da necessidade. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 47% das famílias se recusam a doar órgão de parente com morte cerebral. Diante disso, é importante que os doadores avisem suas famílias a respeito da doação, pois são fundamentais para que a doação aconteça. Por exemplo, no livro O Melhor de Mim, escrito por Nicholas Sparks, o qual relata sobre Dawson quando sofre um acidente e por fim morre, no entanto a sua família autoriza para a doação de seus órgãos. Essa decisão possibilitou a chance de vida para um jovem.
Desse modo, a quantidade de tráfico de órgãos corroboram para a dificuldade de doação correta, de forma que possa beneficiar a todos e não ao contrário. À vista disso, o Tráfico de Órgãos, hoje, é o terceiro crime mais rentável no mundo, segundo a Polícia Federal, afetando mais de 20 milhões de pessoas e movimentando de 7 milhões a 12 milhões de dólares a cada ano. Esses crimes acontecem principalmente dentro dos hospitais, onde se beneficia aquelas pessoas que têm poder aquisitivo, possibilitando apenas uma pequena parcela da sociedade o direito, conforme a lei Lei número 9.434 é gratuita, e o Sistema Único de Saúde realiza tais procedimentos sem custo.
Fica claro, portanto, que ainda há entraves para assegurar a construção de um mundo melhor. Destarte, faz-se imprescindível que a Ancine, Agência Nacional do Cinema, em conjunto com a ABTO realize a produção de filmes e desenhos a respeito da doação de órgãos para ser assistido nas escolas desde alunos do ensino fundamental até o médio, de modo que todos os educandos possam conhecer a respeito desse ato, para que o índice de doação de órgãos cresça. Conforme já dito pelo ativista Nelson Mandela, educação é capaz de mudar o mundo. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, na sociedade civil, conferências gratuitas em praças públicas, ministradas por biólogos e psicólogos, que discutam sobre o tráfico de órgãos, de forma que o tecido social se desprenda de certos tabus.