Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
A série norte-americana The Good Doctor mostra em um de seus episódios a importância e preocupação referente ao transplante de órgãos, já que um doador consegue salvar mais de um paciente, isso se todos os procedimentos forem realizados dentro de um tempo limite. Fora da ficção, a realidade brasileira revela uma problemática que envolve a falta de informação das pessoas e infraestrutura insuficiente para promover com eficiência a doação de órgãos.
Primordialmente, vale destacar que mesmo que o número de transplantes tenha crescido nos últimos dez anos, ainda existe, segundo o Ministério da Saúde (MS), mais de 40 mil pacientes na fila de espera por um órgão. Esses números podem ser justificados pela falta de informação e confiança, pois existem pessoas que afirmam ter medo do órgão ser retirado “antes da hora”, o que é impossível, já que mecanismos como o eletroencefalograma consegue identificar a ausência de atividade cerebral e confirmar a morte. Ademais, como as pessoas não deixam claro para os familiares que desejam ser doadoras, em uma situação de morte, marcado pelo clima triste e de luto, geralmente a família sente dificuldade em autorizar a doação.
Outro fator controverso está relacionado à infraestrutura, já que a retirada, transporte e transplante precisam ser feitos em um tempo suficiente para haver preservação do órgão. E hoje, como todo o procedimento é realizado e financiado através do Sistema Único de Saúde (SUS), o método pode não ser eficaz como planejado, porque os hospitais públicos sofrem com o histórico de corte de recursos e carência de investimentos. Essa conjuntura negativa contraria umas das máximas do filósofo inglês Thomas Hobbes, de que a função do Estado é garantir o bem estar social da população.
Portanto, é evidente que a sociedade precisa compreender que doar órgãos é uma ação de generosidade para contribuir com as pessoas mesmo após a morte. E, para isso, é necessária uma forte campanha, desenvolvida pelo Ministério da Educação, com palestras nas escolas para crianças e jovens entenderem e passarem para seus familiares à importância no nobre gesto de doar órgãos. Também é imprescindível que o MS invista nos hospitais públicos no intuito de facilitar o procedimento de doação desde a retirada até o transplante, sem comprometer o órgão e o paciente. Desse modo, o número de doadores e a eficiência na doação vai melhorar muito com o tempo.