Dilemas da doação de órgãos

Enviada em 30/10/2019

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa doações de órgão, no Brasil, atualmente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Essa situação é ocasionada pela recusa dos familiares e por falta de informações.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o pensador Thomás Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. De maneira análoga é possível perceber que, no Brasil, a falta de doações de órgãos cada vez mais sendo presente na atualidade, rompe essa harmonia, haja vista que muitos pacientes podem sofrer vários danos relacionados ão problema. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), existe cerca de 30 mil pacientes cadastrados em lista de espera para um transplante dos seguintes órgãos: rim, fígado, coração, pulmão, pâncreas e córnea, percebe-se que o número de pacientes necessitando de um transplante é alarmante. A principal causa do problema é a recusa dos familiares em doar órgãos, pois, não possuem conhecimento sobre o que é a morte encefálica, motivados pelas emoções, os parentes acabam não permitindo que os órgãos sejam tirados por terem a esperança de que o paciente ainda está vivo.

Outro ponto que merece atenção é a falta de informação sobre a adoção de órgãos, onde muitas pessoas não sabem ou não tem informações sobre como doar, a importância de doar, isso acontece, porque esse assunto e seus devidos esclarecimentos, não são pautas comuns nas escolas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, e com isso a doação de órgãos se torna um assunto oculto, não discutido pela a maioria das pessoas, tornando a doação de órgão dificultoso, lamentável e desesperador, pois as filas de espera de um transplante a cada dia que passa se torna maior, e os receptores acabam chegando a óbito devido a grande espera.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter um avanço da problemática na sociedade brasileira. Desse modo, com o intuito de diminuir o problema, necessita-se, urgentemente, que o Ministério da Educação inclua o ensino detalhado do procedimento e da importância da doação de órgãos nas escolas, para que as crianças e jovens cresçam sabendo a importância em tornarem-se doadores. O Ministério da Saúde, também deve intervir com campanhas de incentivo a doação de órgãos, sensibilizando o público, informando que o fim de uma vida pode ser o inicio de outra vida, e a ajuda que esses atos proporcionam para muitas familias e vidas.