Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
A Constituição Federal de 1988 prevê o direito à vida. Entretanto, muitas pessoas morrem nas filas de espera para receber um órgão, e mesmo com o número de doadores efetivos subindo, ainda não é o suficiente. Não só o tabu social que envolve o tema, mas também a questão afetiva ou religiosa da família são fatores que ainda impedem que muitas outras vidas sejam salvas.
Por conta da desinformação da população em relação aos transplantes, muitos mitos rondam esse assunto. De acordo com o Ministério da saúde, em 2015 o Brasil atingiu seu recorde do número de doadores, com aproximadamente 3000 doadores, contudo, esse número poderia crescer ainda mais se não fosse pelo desconhecimento em relação ao assunto. Algumas pessoas acreditam em absurdos como a morte cerebral forçada para usar os órgãos, ou que eles são retirados antes da morte, e além disso o brasileiro está inserido em uma cultura em que falar de morte é um tabu.
Em seguida vem a questão familiar, que é de extrema importância, pois as doações só podem ocorrer se os parentes permitirem. No filme “Uma prova de amor”, Anna foi gerada para ser totalmente compatível com sua irmã doente e poder doar a medula para ela, a família das meninas não só apoia Anna a transplantar, mas quase a obriga. Ao contrário do que acontece fora da ficção, onde os parentes dos indivíduos não permitem que seja realizada essa ação, seja por uma questão religiosa ou de afeto à quem faleceu, considerando abominável retirar partes desse ser.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O filósofo Immanuel Kant dizia que: “É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”. Então para que o número de transplantes aumente e os tabus acerca desse assunto sejam derrotados, urge que o Ministério da Educação (MEC) faça divulgações de campanhas para conscientizar e que coloque como obrigatório nas grades curriculares debates sobre esse assunto nas escolas. Por meio da destinação de uma maior parcela das verbas governamentais na questão da educação, desmistificando o assunto.