Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
No romance de Mary Shelley, “Frankestein”, é relatada a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói uma criatura em seu laboratório aderindo membros e órgãos de falecidos à um cadáver. Por analogia, os órgãos são essenciais para a gestão do bom funcionamento do corpo humano, contudo, pessoas que passam pelos dilemas da doação de órgãos sofrem constantemente com a demora das filas para transplante, o que eleva a debilidade corporal. Ademais, algumas situações também contribuem para que o número de doadores não seja suficiente para atender a demanda dos pacientes com imbróglios vitais, como a ausência de conhecimento sobre alguns casos de saúde irreversíveis.
Primeiramente, a lista de espera que os receptores enfrentam é, hodiernamente, uma problemática, haja vista que os que possuem maior debilidade têm preferência nas filas de transplantação de órgãos. É importante salientar que, assim como em “Frankestein”, a vitalidade do ser humano só é possível, dentre outros fatores, pelo bom funcionamento de suas estruturas vitais, e os dilemas para ter acesso às mesmas reduzem as expectativas dos pacientes de obterem uma longevidade e oportunidade de sair do ambiente hospitalar.
Outrossim, doações entre pessoas vivas também são possíveis, todavia, destinatários sofrem percalços devido às incertezas e prejuízos que acarretam aos potenciais doadores. Como exemplo, vale citar questões religiosas, receio na baixa da expectativa de vida e, em especial, a falta de conhecimento sobre irreversibilidade da morte encefálica, que é a principal causa de recusa de doação de órgãos, segundo a ATBO (Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos). Dito isso, é notório que a sociedade ainda possui receio e pouca informação a respeito da importância do ato de doar órgãos.
Dados os argumentos acima, ainda que o transplante de órgãos tenha sido um dos maiores avanços obtidos pela medicina no século XX, com índice de sucesso acima de 80%, a população é pouco instruída no assunto. Faz-se necessário que o Ministério da Saúde (MS), aliado a ATBO, disponibilizem dados e promovam campanhas que abranjam a doação de órgão e sua importância na vida dos pacientes, bem como devem dinamizar melhor os dilemas para a transplantação. Em seguida, a mídia divulgar espaços para a propagação das informações dispostas pelo MS de forma simples e explicativa, levando-as para a população. Como resultado, haverá uma conscientização maior em diversas instâncias sociais; os índices de receios em transplantar e imbróglios sobre a falta de informação cairão, como também a devolução do espírito de novos recomeços serão proporcionados, de uma forma geral, aos que sofrem com a fila de espera, quer seja o parente do receptor ou o mesmo.