Dilemas da doação de órgãos
Enviada em 31/10/2019
Com a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente a Guerra Fria, os progressos científicos tornaram-se parte inerente ao desenvolvimento dos países centrais à medida em que contribuíram no avanço de técnicas de transplantes de órgãos. Entretanto, na sociedade contemporânea, sobretudo no Brasil, os processos de doações de órgãos expõem-se como um desafio social, uma vez que a demanda se apresenta superior. Sob tal viés, faz-se profícuo observar que tal impasse é oriundo ora do descaso governamental, ora pela recusa dos familiares.
Convém analisar, em primeira análise, que esse entrave provém da ausência de políticas públicas que incentivem o diálogo entre a família antes do óbito do possível doador. Nesse sentido, segundo a Constituição Federal de 1988 o Estado é responsável por proporcionar o bem-estar da população, sendo assim, cabe aos órgãos públicos intervir em setores que dizem respeito a saúde, a fim de minimizar as filas de espera por doações. Com efeito, é inadmissível que em um pais signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos o Estado não seja capaz de garantir políticas eficazes que ampliem ações voluntárias.
Outrossim, é indubitável mencionar que as famílias atuam como agente fomentador desse quadro deletério. Paralelamente a isso, conforme o Globo Notícias 50% dos parentes impossibilitam a realização da doação de órgãos, haja vista que esses indivíduos são isentos de conhecimentos sobre a morte cefálica – parada do cérebro que não afeta o funcionamento dos órgãos. Com efeito, é inaceitável que a taxa de mortalidade aumente devido à ausência de disponibilidade de órgãos nas filas de espera.
Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem essa problemática social. Para tanto, o Congresso Nacional, juntamente com o Ministério da Saúde, deve reformular as políticas públicas já existentes, por intermédio da adesão de campanhas publicitárias de cunho apelativo, com a presença de dados estatísticos e quais os requisitos necessários para torna-se um doador de órgãos. Espera-se, com isso, minimizar a quantidade de pessoas que esperam nas filas de transplante. Assim, garantir-se-á as melhorias devido aos avanços científicos desenvolvidos a partir do período entre guerras.